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Sátira política zomba de Silvio Berlusconi em Cannes

Sátira política zomba de Silvio Berlusconi em Cannes

Atualizado: Quinta-feira, 13 Maio de 2010 as 4:15

A política invadiu nesta quinta-feira (13) as telas de Cannes com uma sátira demolidora do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, após o terremoto de L'Aquila, em 2009.  

Dirigido por Sabina Guzzanti, considerada a Michael Moore italiana, o documentário "Draquila: la Italia Che Trema" (Dráquila - a Itália treme), provocou reações indignadas de Roma, para quem o filme "insulta todo o povo italiano" e é "pura propaganda contra Berlusconi".

A seleção do documentário para a mostra oficial do Festival irritou o ministro da Cultura italiano, Sandro Bondi, que se recusou a viajar a Cannes, apesar da presença do filme italiano "La Nostra Vita", de Daniele Luchetti, na disputa pela Palma de Ouro do evento cinematográfico de maior prestígio do mundo.

O documentário de Guzzanti alega que Berlusconi e os aliados aproveitaram a catástrofe de 6 de abril de 2009 - quando um violento terremoto destruiu a capital dos Abruzzos e suas esplêndidas jóias artísticas, com um balanço de 308 mortos e 80.000 desabrigados - para enriquecer e cortar as liberdades civis.

A diretora, que em "Viva Zapatero" (2005) atacou o premiê italiano e seu desejo de controlar os meios de comunicação, acusa Berlusconi em "Draquila" de utilizar a reconstrução da devastada cidade para melhorar sua imagem, que havia desabado após uma série de escândalos sexuais e de corrupção.

Guzzanti, uma atriz e cineasta de 46 anos que tem as portas dos canais de televisão italianos fechados desde 2003, pelas críticas a Berlusconi - dono dos três canais privados mais importantes do país - desmonta os mecanismos usados pelo governo de direita para manipular a opinião pública.

"Draquila" alega que Berlusconi tentou transformar a Agência de Proteção Civil, que foi designada para dirigir as operações de resgate e reconstrução, em uma empresa privada com poderes quase ilimitados.

Em fevereiro, pouco antes de terminar o filme, a agência foi objeto de uma investigação de corrupção sobre a atribuição de contratos públicos.

Durante 90 minutos e com dezenas de entrevistas, muitas delas favoráveis ao premiê italiano, o documentário examina também as máquinas usadas pelo governo para violar todas as restrições do planejamento urbano.

O polêmico filme - o quarto da diretora - termina com imagens do passado esplêndido da cidade, cujo centro histórico continua em ruínas.

Antes dinâmica e repleta de estudantes, L'Aquila é agora uma cidade deserta, enquanto as casas construídas pelo governo, com um custo muito acima à média de mercado, ocupam uma área isolada.

O senso de comunidade, que era uma das coisas mais prezadas pelos moradores, não existe mais, demonstra o filme, que pergunta no fim até quando os italianos votarão em Berlusconi.

Foto: Valery Hache / AFP

  Postado por Adriana Amorim

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