MENU

Secretaria de Segurança começa a testar sistema para identificar tiros

Secretaria de Segurança começa a testar sistema para identificar tiros

Atualizado: Terça-feira, 6 Dezembro de 2011 as 8:55

A Secretaria de Segurança Pública começou a testar, na noite desta segunda-feira (5), o novo sistema de detecção de tiros na Tijuca, na Zona Norte do Rio. O teste serviu para gravar o som dos disparos feitos de diferentes armas de fogo. O novo modelo, conhecido como ShotSpotter, é o mesmo usado pelo FBI nos Estados Unidos .

Durante o trabalho de calibragem do sistema, os policiais militares usaram fuzis, carabinas e pistolas para atirar em sacos de areia. O barulho dos tiros assustou alguns moradores que não sabiam da simulação.

De acordo com a Secretaria de Segurança, os testes acontecerão até o dia 7 de dezembro, na Tijuca, no Maracanã, em Vila Isabel e no ndaraí. De acordo com o governo, por medida de segurança, as áreas serão interditadas.

A cada noite serão realizados cinco testes de calibragem em ruas e horários diferentes. Os testes começarão às 22h e tem previsão de encerramento às 3h. O horário de início varia em cada local e, se houver mau tempo, o teste poderá ser adiado. A programação está sendo divulgada através da imprensa e da página da Polícia Militar na Internet . As interdições devem durar de 60 a 90 minutos em cada rua. O Rio será a primeira capital a usar o sistema e a segunda cidade do país. A tecnologia já foi implantada no município gaúcho de Canoas em 2009 e resultou em uma queda de 41% dos crimes violentos que resultaram em morte, em comparação com o mesmo período em 2009.

Mais de 70 sensores sonoros

O sistema inicialmente abrangerá os bairros de Tijuca, Andaraí, Maracanã, Vila Isabel, Muda, Usina e Grajaú, além de parte da Quinta da Boa Vista e as comunidades de Borel, Casa Branca, Indiana, Formiga, Macacos, Salgueiro e Coreia, todas na Zona Norte. Ao todo, serão 70 sensores.

A partir da instalação de sensores sonoros camuflados, a tecnologia permite que, tão logo um tiro de arma de fogo ocorra na área monitorada, o sistema localize o ponto do disparo (com margem de erro de apenas 10 metros), identifique o calibre e a quantidade de tiros. Em seguida, e em cerca de seis segundos, ele envia essa informação para uma central de comando.

O sistema também consegue diferenciar os disparos de sons similares (fogos de artifício, escapamento de veículos, helicópteros) e grava os tiros, permitindo seu uso posterior na análise pericial e até mesmo como prova em juízo.

Na prática, de acordo com a secretaria, a expectativa é de que o sistema permita à polícia um ganho de até 15 minutos no tempo necessário para decidir o envio de uma patrulha ao local do disparo. Em casos de crimes com armas de fogo, onde há feridos a bala, qualquer minuto de espera pode significar a vida ou morte da vítima.

Sucesso no exterior

Mais de 50 cidades já usam o sistema nos Estados Unidos, incluindo Los Angeles, Washington, Chicago, Boston, São Francisco e New Orleans.

Após alguns anos utilizando o sistema, a polícia de Los Angeles conseguiu uma redução de 40% no número de homicídios. Fora dos Estados Unidos, a Grã-Bretanha usa o sistema desde 2008, em cidades como Londres e Manchester.

Nos cenários de guerra urbana do Afeganistão e do Iraque, as forças armadas norte-americanas também utilizaram o sistema para localizar franco-atiradores inimigos.

Atiradores de elite

Para realização do teste de calibragem, são necessários vários disparos de armas de fogo com balas de verdade no próprio ambiente em que haverá o monitoramento, utilizando-se cinco diferentes calibres de armas. Os disparos serão feitos por atiradores de elite da Polícia Militar, integrantes do Centro de Instrução Especializada em Armamento e Tiro (Cieat).          

veja também