Secretário compara ataque de facções no Rio a atentado contra Torres Gêmeas

Secretário compara ataque de facções no Rio a atentado contra Torres Gêmeas

Atualizado: Quinta-feira, 5 Novembro de 2009 as 12

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, comparou nesta quinta-feira (5) a série de ataques que ocorreram no Morro dos Macacos (zona norte) e culminaram  na derrubada de um helicóptero da Polícia Militar ao atentado às Torres Gêmeas nos Estados Unidos. Os ataques, que ocorreram em 11 de setembro de 2001, deixaram cerca de 3.000 mortos.

A guerra entre facções do Rio, que ocasionou a morte de aproximadamente 40 pessoas, teve início em 17 de outubro, quando o helicóptero foi abatido por traficantes da Zona Norte.

Beltrame, que participa nesta quinta-feira de audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara, também afirmou que a burocracia para comprar equipamento e a falta de ''poder discricionário'' para demitir policiais corruptos prejudica o trabalho da Secretaria de Segurança.

''É triste a queda de uma aeronave. Eu quero que a sociedade toda venha e conheça o problema do Rio, assim como os americanos fizeram quando as Torres Gêmeas foram derrubadas. Todos se solidarizaram''.

Beltrame observou que o Rio enfrenta a situação de combate à criminalidade mais complicada das Américas. De acordo com o secretário, no Rio os criminosos não assumem posição marginal, mas se colocam como poder paralelo.

''O Rio de Janeiro é diferente. Onde nós temos nesse país, ou na América, facção que tem ideologia e diz 'aqui é nós', eu sou o comando, onde tem que perdir licença ou pagar pedágio para passar. É um grupo fortemente armado, com munição de uso restrito das Forças Armadas''.

O secretário demonstrou constrangimento ao comentar a limitação da polícia em relação à punição do policial que não prestou socorro e ainda roubou pertences do coordenador do AfroReggae, morto em uma tentativa de assalto no dia 18 de outubro.

Beltrame afirmou que a lei brasileira não permite que a Polícia Militar demita o PM, apesar de a corregedoria da corporação ter provas de procedimento irregular.

''Aí vocês querem que o comandante da PM responda por abuso de poder. Para demitir um delegado foram dois anos e nove meses. Em alguns países existe o poder discricionário e a autoridade pode decidir mais rápido. Nós levamos nove meses só para comprar gás de pimenta''.

Apesar de traçar um cenário desastroso da segurança pública fluminense, Beltrame afirmou que ''o Rio não é violento'', mas é composto de ''núcleos de violência''. Segundo o secretário, as regiões ricas do Estado fluminense têm índices de violência semelhante a países europeus.

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