Secretário de Jandira vai à polícia e diz que gabinete foi invadido

Secretário de Jandira vai à polícia e diz que gabinete foi invadido

Atualizado: Quarta-feira, 14 Setembro de 2011 as 4:39

Chaveiro abriu gabinete da prefeita para que

presidente da Câmara assumisse o cargo

interinamente (Foto: Letícia Macedo/G1)

  O secretário de Comunicação de Jandira, Ronnie Annunciação, em companhia de seus advogados, fez nesta terça-feira (14) um boletim de ocorrência para relatar a entrada de Wesley Teixeira (PSB) no gabinete da prefeita afastada Anabel Sabatine (PSDB).

Nesta manhã, o presidente da Câmara Municipal, recém-empossado no cargo, chamou um chaveiro para entrar na sala junto com seus aliados e cumprir a decisão tomada pelos vereadores do município da Grande São Paulo de afastar Anabel após denúncias de desvio de verbas e de fraude em licitação. Ela assumiu o cargo em dezembro de 2010, após o assassinato a tiros do então prefeito, Braz Paschoalin.

No boletim de ocorrência, registrado na delegacia de Jandira, o secretário disse que Teixeira, junto com os vereadores Reginaldo Camilo dos Santos (PT) e José da Silva Neto (PR), acionou um chaveiro, “arrombou a porta e encontra-se instalado na referida sala da prefeita”. A natureza do boletim de ocorrência foi definida como “não criminal”.     O delegado Zacarias Tadros afirmou que a delegacia vai comunicar o ocorrido ao juiz eleitoral e à delegacia seccional, que tem a responsabilidade de investigar crimes contra o chefe do Executivo municipal. “Os poderes são independentes e o Judiciário dá a última palavra, de forma definitiva”, disse o delegado.

Para o advogado do secretário, Antônio Celso Galdino Fraga, houve abuso de poder. “Houve um arrombamento e a prefeita não foi comunicada previamente. Faltou uma ordem judicial, uma ordem do TRE [Tribunal Regional Eleitoral] e comunicar a prefeita”, afirmou Fraga. Wesley Teixeira afirmou, no entanto, que a municipalidade foi comunicada e que ele está amparado pela lei.

Advogado exibe cópia de boletim de ocorrência (Foto: Letícia Macedo/ G1)

  Segundo o advogado da prefeita, Francisco Roque Festa, Anabel desconhece o teor das denúncias que levaram os vereadores a decidir pelo seu afastamento, mas vai recorrer. O advogado disse que ainda não sabe se irá entrar com uma medida cautelar ou com um mandado de segurança. A prefeita ainda não se manifestou sobre a aprovação do seu pedido de afastamento.

A denúncia foi feita por um morador da cidade pouco antes da abertura da sessão de terça. O pedido de afastamento foi aprovado no mesmo dia por 90 dias. O período pode ser ampliado para até 180 dias.

Suspeita de fraudes

No dia 1º de junho, a Secretaria da Educação de Jandira autorizou que as escolas agendassem um passeio para um recanto ecológico. A excursão não aconteceu no dia marcado por causa do mau tempo. Mas a licitação para contratar o passeio só foi publicada depois, em 13 de junho. E quem ganhou a concorrência foi o mesmo recanto.

O passeio dos alunos é uma das quatro supostas irregularidades apontadas em um documento feito por um morador de Jandira e entregue à Câmara Municipal como uma denúncia contra a prefeita Anabel Sabatine.

Wesley Teixeira responderá pela administração

municipal por 180 dias(Foto: Letícia Macedo/G1)

  O documento mostra que a Prefeitura usou R$ 3,2 milhões de um fundo federal para a educação e mais de R$ 400 mil da verba para o combate à dengue para cobrir a folha de pagamento do funcionalismo de Jandira, o que é proibido.

No começo de agosto, a Justiça determinou que a Polícia Civil instaurasse um novo inquérito para apurar a eventual participação de Anabel no homicídio. “Eu tenho uma certeza absoluta na minha vida: por mim, o Braz estaria aqui”, disse ela, na ocasião.

O desembargador Amado de Faria determinou a instauração do um novo inquérito a pedido da Procuradoria-Geral de Justiça. O Ministério Público disse que, após a análise de elementos colhidos na investigação que deu origem ao processo criminal contra várias pessoas pela morte de Paschoalin, já em andamento, a Câmara Especializada de Crimes de Prefeitos, da Procuradoria-Geral de Justiça, requisitou a investigação também da prefeita.

Prefeita de Jandira, Anabel Sabatine, foi

afastada (Foto: Reprodução/TV Globo)

  “Eu não tive acesso ao processo. Então, eu não sei explicar no que eles estão se baseando. Você percebe nitidamente interesse político de quem quer assumir. Se acharam por bem eu ser investigada, vamos investigar, porque eu estou com a minha consciência tranquila”, afirmou a prefeita, na época.

Entenda o caso

Braz Paschoalin morreu em 10 de dezembro de 2010. Na ocasião, em vez de utilizar o carro blindado, o então prefeito foi em outro veículo sem blindagem até uma rádio onde semanalmente participava de um programa no qual respondia perguntas de ouvintes. Ao chegar à rádio, o automóvel foi atingido por pelo menos 15 disparos.

O Ministério Público de São Paulo ofereceu em 14 de fevereiro denúncia contra sete suspeitos da morte do prefeito. Foram denunciados à Justiça como mandantes do crime dois ex-secretários municipais, um ex-candidato a vereador no município da Grande São Paulo, além de outros quatro homens, sendo um deles um ex-policial militar, como executores do crime. Para o promotor de Justiça Neudival Mascarenhas Filho, Paschoalin foi morto porque havia demitido um secretário e antigo colaborador e estava se desentendendo com um outro secretário, que também pretendia demitir.        

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