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Secretário diz que, preso, Arruda não vai renunciar ao DF

Secretário diz que, preso, Arruda não vai renunciar ao DF

Atualizado: Sexta-feira, 12 Fevereiro de 2010 as 12

O secretário de Transportes do Distrito Federal, Alberto Fraga, saiu no início desta tarde da superintendência da Polícia Federal (PF), onde esteve reunido por cerca de meia hora com o governador afastado do DF, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido). De acordo com Alberto Fraga, o governador estava dormindo quando chegou. Perguntado sobre uma possível renúncia do governador afastado, Alberto Fraga respondeu: "renunciar por quê, se ele já está preso?".

Alberto Fraga afirmou que o governador está abatido por não ter sido ouvido pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Fernando Gonçalves, que pediu a prisão temporária de Arruda e outros cinco envolvidos. "Ele está abatido, sofrendo, como qualquer um estaria nessa situação. Nunca vi um processo ser julgado sem que haja direito de defesa do acusado", disse Fraga, na saída da PF.

O secretário de Transportes do DF disse, ainda, que o pedido de intervenção no Distrito Federal feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, é um "retrocesso": "é um processo perigoso.O DF é perfeitamente capaz de cuidar da 'própria vida'", afirmou.

Além do governador Arruda, o pedido de prisão preventiva atingiu outros cinco suspeitos. Destes, um ainda é procurado pela Polícia Federal: o ex-deputado Geraldo Naves. Haroldo Carvalho, ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB), se entregou por volta do meio-dia na superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e o ex-secretário de Comunicação do governador, Wellington Moraes, se entregou à tarde. Também foi decretada a prisão de Antônio Bento, conselheiro do metrô do DF, preso em flagrante pela Polícia Federal há duas semanas, quando entregava R$ 200 mil ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra. O sobrinho e ex-secretário particular de Arruda, Rodrigo Arantes, se apresentou à PF ontem à noite.

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), já teria decidido por não aceitar o pedido de habeas-corpus, feito pelos advogados de defesa do governador afastado, Nélio Machado e José Gerardo Grossi, No entanto, a decisão oficial só deve sair às 16h desta sexta-feira.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Por: Luciana Cobucci

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