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Segundo polícia, funcionário do Hopi Hari não sabia de trava

Segundo polícia, funcionário não sabia de trava

Atualizado: Terça-feira, 6 Março de 2012 as 1:27

Um dos operadores do brinquedo La Tour Eiffel, do parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo, disse à Polícia Civil na manhã desta terça-feira (6) que não sabia da existência de uma trava hidráulica da cadeira onde a adolescente Gabriela Nichimura, de 14 anos, se sentou antes de cair de uma altura de 30 metros no dia 24 de fevereiro. A informação é do delegado Álvaro Santucci Noventa Junior, responsável pela investigação sobre a morte da garota. Marco Antônio Tomas Leal é um dos cinco funcionários que operavam a atração no momento do acidente. Ele foi contratado pelo parque há seis meses e trabalhava no La Tour Eiffel 20 dias antes do acidente, segundo a polícia.

O delegado Álvaro Santucci Noventa Junior revelou após o depoimento do operador que o funcionário disse não ter recebido treinamento específico para trabalhar no brinquedo onde Gabriela Nichimura estava. "Ele disse que leu um manual, com informações gerais das atrações do parque, mas nada focado na atração onde houve o acidente", disse o delegado. Uma cópia do documento foi entregue pelo advogado do funcionário, Bichir Ale Bichir Junior, à Polícia Civil na manhã de segunda-feira (5). O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa do parque sobre o conteúdo do manual, mas até a publicação da reportagem, não houve retorno.

O advogado do parque, Alberto Zacharias Toron, trabalha com a hipótese de que algum funcionário do local tenha aberto a trava do sistema de segurança do brinquedo La Tour Eiffel dois dias antes do acidente. A trava, segundo Toron, deveria impedir que o visitante levantasse o colete de proteção do assento para sentar na cadeira, que não era usada há mais de 10 anos. De acordo com o advogado, a borboleta da trava pode ter sido aberta durante uma manutenção de rotina e não foi retravada no fim dos trabalhos. "O sistema de segurança que deveria permanecer travado para ninguém sentar na cadeira ficou aberto e permitiu que no dia uma pessoa pudesse sentar no assento que estava inativo", defende Toron.

O advogado já havia admitido na quinta-feira (1º) que houve falha humana no acidente. O assento onde a menina ficou havia sido interditado há dez anos por questões de segurança, pois algum turista sentado de forma inadequada poderia bater as pernas na estrutura na parte final da descida do brinquedo, também conhecido como "elevador". "O parque reconhece que houve um erro dos técnicos de manutenção que habilitaram indevidamente uma cadeira que não deveria ser habilitada, seja ainda concomitantemente das pessoas que fazem atendimento operacional e que deveriam ter verificado que a trava não funcionava. O Hopi Hari reconhece isso", disse o advogado do parque.

O operador Marco Antônio Tomas Leal também informou à polícia nesta terça-feira que não se atentou ao fato da adolescente estar sentada em uma cadeira que estava inativa há dez anos. Ele aparece em uma foto em frente ao carrinho onde a adolescente estava com a família momentos antes do acidente, mas segundo o delegado, no momento em que a imagem foi registrada, ele passava em frente aos visitantes para verificar outro bloco de cadeiras.

Esclarecimentos

O delegado e os promotores do Ministério Público de Vinhedo que acompanham o caso, Ana Beatriz Vieira e Rogério Sanches, também devem ouvir outros depoimentos nesta semana, mas não revelaram os nomes de quem será convocados e os dias em que serão ouvidos. Rogério Sanches informou também na segunda-feira que vai convocar para o presidente e os dois vice-presidentes do parque. O Fantástico de domingo (4) mostrou uma entrevista com o vice-presidente, Cláudio Guimarães. O executivo admitiu que a morte da adolescente se deu após uma 'sucessão' de falhas.

Já prestaram depoimentos à Polícia Civil e ao Ministério Público, os familiares da adolescente Gabriela Nichimura, funcionários e o diretor de manutenção do Hopi Hari.
Crea investiga responsabilidades

Dois engenheiros que são responsáveis pela área técnica do parque foram notificados por uma Comissão de Ética do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-SP), que apura as responsabilidades pelo acidente. Agentes do Crea-SP também participam do processo de vistoria nos brinquedos, previsto no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

A informação sobre os funcionários foi confirmada pelo Hopi Hari, que disse que irá atender ao conselho no prazo estipulado pelo órgão. O parque recebeu o pedido de esclarecimento na sexta-feira (2). O Crea-SP não repassou detalhes sobre encaminhamento enviados aos engenheiros e as possíveis punições.

Parque fechado

O parque deve ficar fechado até o dia 11 para uma força-tarefa de vistoria, mas o período pode ser prorrogado por mais dez dias para as investigações. Além do Crea-SP, acompanham os trabalhos os promotores Rogério Sanches e Ana Beatriz Vieira, bombeiros e agentes do Instituto de Criminalística (IC), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Uma reunião com todos os envolvidos definiu o cronograma das investigações e reuniram documentos técnicos e manuais das atrações. Segundo Sanchez, foi feita uma simulação no Tour Eiffel e o brinquedo interditado desde o acidente voltou a ser ligado. Sanches analisa a possibilidade de pedir que a diretoria do Hopi Hari responda criminalmente pela morte da adolescente.

Segundo o chefe do Laboratório de Estrutura do IPT, Sergio Inácio Ferreira, serão inspecionados os brinquedos que oferecem mais riscos e atingem maiores velocidades.

No fim da semana passada, o Hopi Hari reconheceu que foi um erro permitir que a adolescente sentasse em uma cadeira desativada há dez anos. De acordo com as investigações da polícia e da promotoria, o dispositivo de segurança da atração abre durante a descida.

A família de Gabriela informou que pretende processar o Hopi Hari em R$ 2 milhões por danos morais e materiais. A defesa também vai pedir à Prefeitura de Vinhedo, por falha na fiscalização, mais R$ 1 milhão.

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