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Segurança do Pelourinho preocupa moradores, turistas e polícia

Segurança do Pelourinho preocupa moradores, turistas e polícia

Atualizado: Quarta-feira, 1 Junho de 2011 as 10:37

            Depois do assassinato de um jovem de 21 anos em uma festa promovida pelo Olodum, no Pelourinho, na noite de domingo (29), comerciantes e moradores da região estão preocupados com a segurança do centro histórico da capital baiana. Na ocasião, a polícia informou que o crime foi provocado por briga de facção do tráfico de drogas. A Terça da Benção, festa tradicional das terças-feiras na região, teve pouco movimento na última noite (31).

O lojista Walter Lima relata que os turistas estão com receio de andar pelo Pelourinho. “A gente fecha às 20h porque não tem como andar na cidade, principalmente aqui no Centro Histórico. Se o turista sair do círculo do Pelourinho, ele é assaltado e agredido”, diz.

Devido à ação dos criminosos, cinquenta lojas do Pelourinho fecharam nos últimos dois anos, conforme explica o presidente da Associação dos Comerciantes, Lenner Cunha.

“A Polícia Militar e a Polícia Civil têm todos os diagnósticos precisos em relação à situação. Existe um plano de revitalização na área de segurança, mas que ainda não saiu do papel. No início da revitalização (da estrutura), nós tínhamos 790 policiais para cobrir de Santo Antônio até o Corredor da Vitória. Hoje temos apenas 370 agentes para fazer essa segurança”, explica.

De acordo com o tenente coronel Jorge Nascimento, comandante do 18° Batalhão, 56 policiais fazem a segurança do local, através de patrulhamento a pé 24 horas, além do moto-patrulhamento e vídeo monitoramento. “Quero ressaltar que o Pelourinho, das 18h às 6h, é o único local de Salvador no qual temos policiamento a pé, até porque os policiais no tempo de folga vem trabalhar de forma remunerada. Eu digo às pessoas que o Pelourinho é um local tranquilo”, afirma.

Em relação ao tráfico de drogas, o comandante alerta que a prática está em todo o lugar.  “Durante o meu tempo aqui de serviço, mais de dez traficantes foram presos e todos já estão soltos. Nós estamos fazendo a nossa parte, precisamos que os outros parceiros façam também. Circulando aqui dá para perceber que tem um problema de saúde pública e ação social”.     Cotidiano Embora haja policiais no local, turistas se sentem

inseguros (Foto: Reprodução/TVBA)     Um casal de turistas do Paraná que, pela segunda vez, visita o Pelourinho, diz estar inseguro. “É uma situação desconfortável, porque existe muito assédio. A gente não esconde, temos um pouco de medo, de receio, andamos com um pé atrás”, informa Jaime Boarão. Segundo ele, o principal medo é de assalto e de formas de agressão. “A imagem está um pouco comprometida. Há sete anos estivemos aqui e a situação era melhor”, opina.

O furto é o crime mais registrado no Pelourinho, cometido por pessoas que usam drogas ou estão envolvidas com o tráfico, conforme avisa a Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur). A cozinheira Vera Lúcia Gomes, moradora do centro histórico, afirma que a presença de usuários de drogas é frequente. “Tem ‘sacizeiros’, que roubam tudo da pessoa para comprar pedra (crack). Tem muita gente usando droga, é uma brincadeira. Tem gente de fora que vem para cá por conta do tráfico”, comenta.

Para João Jorge, presidente do Olodum, o crime que interrompeu a comemoração do Dia da África é reflexo da insegurança nas cidades do país. “Estamos vivendo uma guerra, em que todos nós somos responsáveis. Um caso desses aconteceria em qualquer lugar de Salvador, motivado pelo tráfico de drogas”, afirma, acrescentando que a luta do Olodum é pela paz.        

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