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Sem Dutra no comando, PT teme avanço de aliados

Sem Dutra no comando, PT teme avanço de aliados

Atualizado: Terça-feira, 5 Abril de 2011 as 8:29

Setores do PT e do governo temem que José Eduardo Dutra não volte à presidência do PT. O dirigente, porém, disse a interlocutores que prorrogará sua licença médica por apenas mais 15 dias.

Internamente, o assunto é tratado com cautela. A própria presidente Dilma Rousseff pediu a ministros que "cuidassem" do petista e que prestassem o auxílio necessário para que ele retome suas funções.

Fora do cargo desde 22 de março, Dutra se afastou do posto após sofrer uma crise de hipertensão. O fim da licença estava programado para amanhã, mas ele deve pedir mais um tempo.

O PT está apreensivo com a ausência de comando no momento em que mais precisa de um negociador: a montagem do segundo escalão. A legenda teme o avanço de siglas aliadas e cogita nomear um articulador de cargos junto ao Planalto. Para alguns petistas da cúpula do partido, falar em eventuais sucessores é assunto proibido; para outros, porém, é necessário. A orientação é para que se contenha o apetite de interessados em disputar espaço interno.

Na lista de eventuais nomes estão Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Dilma, e o senador Humberto Costa (PE), líder da bancada na Casa, que reagiu contrariado à essa especulação.

"É verdadeiramente absurda a colocação do meu nome. Dutra é um grande amigo. Não vou me prestar a esse papel", afirmou.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a interlocutores preocupação com o estado de saúde de Dutra e o temor de que o partido fique acéfalo. Há ainda o receio de que não se restabeleça até o fim do mês, quando o partido deverá votar o pedido de refiliação do ex-tesoureiro Delúbio Soares, pivô do escândalo do mensalão.

Sem Dutra, o partido corre o risco de enfrentar uma disputa interna no Diretório Nacional. Vice-presidente do PT, o deputado estadual Rui Falcão (SP) assumiu interinamente a função, mas já avisou que só ficará até abril por ter seu mandato no Diretório Nacional compartilhado com outro integrante da sua corrente.

Pelo estatuto, a licença do presidente é de, no máximo, 180 dias. Em caso de renúncia, o diretório tem até 60 dias para eleger novo presidente.

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