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Sem ter falado com Marina, autora traça perfil de "heroína"

Sem ter falado com Marina, autora traça perfil de "heroína"

Atualizado: Segunda-feira, 5 Julho de 2010 as 8:30

Em meio a mentiras e subornos na política, Marina Silva é honesta e altruísta. Ela é ouvida, fala com paixão, mas de maneira refletida, e leva seu trabalho a sério. Sua inteligência e liderança apaixonada são mundialmente reconhecidas.

Marina usa a lei para lutar pela floresta. Até chegar a um dos principais cargos políticos do país, a senadora percorreu trajetória mais espetacular que a da Cinderela, princesa que saiu dos farrapos e alcançou a riqueza. Isso porque, no Brasil, ela deixou a pobreza iletrada e chegou à universidade.

É dessa forma que a senadora do Acre é descrita na biografia ''Marina Silva -defendendo as comunidades da floresta tropical do Brasil'', lançada em 2001 por uma editora feminista e sem fins lucrativos dos EUA.

A obra foi pensada e escrita antes de Marina ganhar a projeção de ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência pelo PV.

O livro integra a coleção ''Mulheres Mudando o Mundo'', que tem o objetivo de apresentar exemplos de vida e superação a jovens com idades entre 12 e 16 anos.

Na obra, adolescentes americanos têm contato com uma visão do Brasil, do Acre -''AH-kray'', para a pronúncia-, Estado natal da senadora, e do cenário político.

''Políticos são, normalmente, das grandes e ricas famílias que governaram o Brasil por 500 anos (...) O PT não acreditava na compra de votos ou em promessas que não seriam cumpridas'', descreve a autora da obra, Ziporah Hildebrandt, sobre o início da trajetória de Marina.

Hildebrandt não fala português, nunca pisou no Brasil nem manteve contato direto com sua biografada -as entrevistas com Marina foram feitas via um assessor do Senado que falava inglês.

A autora contou à Folha que recebeu a encomenda de um livro sobre Marina e que passou um ano e meio estudando a vida da senadora e a história do país. Hildebrandt disse que a editora queria a biografia de uma mulher que representasse negros, índios e o ambiente.

Questionada sobre o tom épico do livro e a descrição de uma personagem que lembra uma heroína da floresta, ela afirma que a intenção da série não é fazer livros críticos ou objetivos.

É, diz, apresentar exemplos de mulheres que superaram grandes obstáculos e conseguiram promover mudanças em seus países, servindo como fonte de inspiração a jovens mulheres.

Fazem parte da série biografias de Aung San Suu Kyi (Nobel em 1991, de Mianmar), Ela Bhatt (Índia), Rigoberta Menchú (Guatemala) e Mamphela Ramphele (África do Sul), entre outras.

Por Johanna Nublat

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