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Sem ter onde morar, vítimas da chuva na serra voltam a casas interditadas

Sem ter onde morar, vítimas da chuva na serra voltam a casas interditadas

Atualizado: Terça-feira, 5 Abril de 2011 as 9:12

Escolas e igrejas ainda são endereços de moradia para mais de mil pessoas atingidas pela chuva na Região Serrana do Rio de Janeiro. Passados mais de 80 dias, muitos dos sobreviventes da maior tragédia climática do país ainda aguardam o pagamento do Aluguel Social e desafiam o perigo retornando para casas interditadas pela Defesa Civil. A chuva que devastou as cidades aconteceu na noite de 11 de janeiro e deixou mais de 900 mortos.

No bairro Campo Grande, um dos locais mais afetados de Teresópolis, o cenário ainda é desolador. As pedras enormes que assustaram a população ainda continuam por lá e parecem não chocar mais aqueles que transitam pela região. Desempregados acharam no local um meio de ganhar dinheiro com a venda das pedras que encobrem as vias para empresas de construção.

  Garimpeiros da tragédia

Outros viraram “garimpeiros” da tragédia e reviram entulhos em busca de fios de cobre, tênis e outros objetos que podem ser revendidos a ferro-velhos e brechós. João Ramos, de 58 anos, passa o dia tentando quebrar pedras com a ajuda de uma pequena estaca. Ele diz que um caminhão lotado de pedras rende até R$ 200.

Enquanto alguns tentam a sobrevivência em meio ao caos, outros concentram os esforços para reerguer as casas destruídas. O caseiro José Otávio dos Santos, de 53 anos, trabalha junto com outros quatro homens na reforma da casa do patrão. Morador de Campo Grande há 26 anos, ele teme que o bairro não volte mais às condições pré-desastre e seja esquecido pelas autoridades.

“Esse bairro aqui era muito bonito, mas agora tomei trauma, acho que mesmo depois da reforma o meu patrão não volta mais para essa casa. Aqui o trabalho está de formiguinha”, disse o caseiro.

Quem ainda insiste em continuar morando em Campo Grande fala das dificuldades. A luz só voltou ao bairro no final do mês de março. O serviço de telefonia segue sem funcionar. Supermercados, padarias e açougues fecharam as portas e os ônibus nem chegam mais ao bairro que deu lugar a uma montanha de pedras. O ponto de ônibus mais próximo fica a dois quilômetros de distância.

Mil pessoas sem aluguel social

O pintor Moacir Siqueira da Rocha disse não ter outra opção a não ser voltar para a casa interditada, já que sua família ainda não recebeu o aluguel social,  que é a ajuda financeira aos desabrigados no valor de R$ 500 por mês durante o período de 1 ano. A Prefeitura de Teresópolis informou que 3.500 pessoas se inscreveram para receber o benefício, mas, por falta de recursos, apenas 2.500 vão ganhar o auxílio.

Logo após as chuvas, a prefeitura se comprometeu a pagar o benefício às mil pessoas inscritas restantes, mas, segundo a assessoria do município, "após uma análise das contas, a administração percebeu que só poderia arcar com o pagamento do aluguel social de 300 pessoas". A primeira parcela do auxílio foi paga a 200 pessoas dois meses após a tragédia. Outras 100 ainda não receberam o benefício, que segundo a administração será pago até 11 de abril.

De acordo com o município, a prioridade no programa é para moradores que tiveram as casas totalmente destruídas pelo temporal, assim como para vítimas que têm filhos menores de idade. Cerca de 300 pessoas tiveram o pedido de benefício rejeitado por não apresentarem documentação ou por fraude. Mais de 250 pessoas ainda moram nos cinco abrigos espalhados pela cidade.      

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