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Sem-terra protestam com onda de invasões na Bahia

Sem-terra protestam com onda de invasões na Bahia

Atualizado: Segunda-feira, 4 Abril de 2011 as 8:16

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) desencadeou uma onda de invasões no sul da Bahia no fim de semana, marcando o início do "abril vermelho". Não houve confronto.

A jornada de invasões é realizada anualmente para lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás (PA), onde 19 agricultores do movimento foram mortos pela polícia em 1996. A organização diz que pretende atingir 50 propriedades do Estado nos próximos dias.

O pano de fundo político das invasões deste ano, o primeiro com Dilma Rousseff no Planalto, é a crítica à petista pelo que os sem-terra classificam de falta de diálogo do governo com o movimento. O MST ataca a falta de meta para assentar os acampados.

Segundo a coordenação do MST na Bahia, houve invasões em pelo menos 15 propriedades, em onze municípios baianos, desde anteontem. A Folha confirmou apenas cinco delas.

Os alvos das invasões foram propriedades dedicadas à pecuária e à produção de madeira para a indústria de papel. Uma das áreas, o Complexo Muqui, em Itabela (652 km de Salvador), tem 6.800 hectares e pertence à Veracel Celulose.

Próximo dali, no município de Eunápolis, outra fazenda da multinacional está invadida desde setembro de 2010. A empresa deve se manifestar hoje sobre o caso.

As outras áreas atacadas estão nos municípios de Teixeira de Freitas, Itamaraju, Jucuruçu e Alcobaça. Segundo o MST, cerca de 1.300 pessoas participaram das ações.

"Até hoje nossa presidente não apresentou meta de assentamento. O ministro do Desenvolvimento Agrário não chamou ninguém para debater a estruturação de assentamentos e a situação das famílias acampadas. Por isso, vamos intensificar as ocupações em todo o Brasil", diz Evanildo Costa, da direção do MST na Bahia.

O "abril vermelho" foi deflagrado primeiro no Estado em virtude da grande concentração de acampamentos -- segundo o MST, há 25 mil famílias na Bahia.

No norte do Rio Grande do Sul, cerca de 400 pessoas participam de uma marcha desde março, quando os sem-terra fecharam um acordo com o governo Tarso Genro (PT) para interromper uma invasão em São Borja.

Em São Paulo, integrantes de um grupo dissidente do MST entraram em uma fazenda em Rinópolis (548 km de São Paulo), no sábado.

Por meio da assessoria, o ministro Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) negou falta de diálogo e disse que analisará as reivindicações do MST "quando forem apresentadas".

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