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Sem-teto prometem ficar em prédios ocupados até negociar com Prefeitura

Sem-teto prometem ficar em prédios ocupados até negociar com Prefeitura

Atualizado: Segunda-feira, 4 Outubro de 2010 as 1:32

A liderança dos sem-teto que ocuparam quatro edifícios abandonados na região central de São Paulo afirmou na manhã desta segunda-feira (4) que o movimento permanecerá nos prédios até a Prefeitura começar a negociar moradias. A invasão ocorreu na madrugada e, apesar de bate-boca entre moradora e policiais militares, a situação era tranquila às 12h .   “Vamos ficar. Se formos retirados, ficaremos na calçada”, disse a diarista e coordenadora-geral do movimento Terra da Nossa Gente (TNG), Maria do Planalto, de 52 anos. Seu grupo é ligado à Frente de Luta por Moradias (FLN), que coordenou a ação. Ela explicou que a maior parte das cerca de 2.000 pessoas envolvidas nas ocupações foi retirada de um terreno na Zona Leste em novembro de 2009. Há também sem-teto que viviam em áreas de risco na região central.

Segundo a Prefeitura, representantes da Secretaria da Habitação foram enviados para saber as reivindicações dos moradores, mas nenhuma resposta foi recebida. A pasta afirmou por meio de sua assessoria que aguarda a pauta dos sem-teto para iniciar as negociações.

O G1 esteve no prédio situado na Avenida Ipiranga, altura do número 799, onde centenas de famílias se agrupavam em pequenos apartamentos em 15 andares. Crianças brincavam no chão empoeirado e frio enquanto idosos caminhavam na penumbra. Sem água nem luz, os sem-teto usavam lanternas e improvisavam velas e a iluminação de aparelhos celulares para conseguir enxergar.

“Queremos um teto para morar”, reclamou o ajudante de pedreiro Vanderlan Nascimento de Souza, de 30 anos. Ele contou que entrou no prédio com a mulher e os dois filhos nas primeiras horas do dia. Feliz com o novo lar, ele afirmou que consegue facilmente reformar os apartamentos. “Nós mesmo fazemos as mudanças. A mão de obra é nossa. Só precisa de material e da apropriação.”

Francisca Claudina de Oliveira, doméstica de 40 anos, improvisou colchonetes em um quarto para seu neto, Cauê Oliveira, de 7 meses, poder brincar. “Queremos muito moradia. Precisamos disso”, disse. Outros prédios invadidos ficam nas avenidas Prestes Maia, Nove de Julho, e São João.

Postado por: Guilherme Pilão

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