Série "Bipolar" quer desmistificar clichês de uma suposta realidade policial

Série "Bipolar" quer desmistificar clichês de uma suposta realidade policial

Atualizado: Quinta-feira, 26 Agosto de 2010 as 8:55

Nos últimos tempos, as emissoras da TV aberta têm investido em um novo segmento já quase esgotado pela TV paga: as séries e/ou minisséries policiais. Recentemente, a Globo exibiu as mini "Na Forma da Lei" e "Força-Tarefa". A Record apostou no formato em 2009 e produziu "A Lei e o Crime". Os canais pagos também investiram nas produções brasileiras: a Fox fez "9 MM - São Paulo" em 2008 e a HBO fez "Mandrake" em 2007.

Agora, o Canal Brasil se prepara para lançar a sua própria: "Bipolar", um drama psicológico policial que investiga os diferentes polos dos universo criminal que estreia dia 2 de setembro. Com 12 episódios de 25 minutos cada, a série focaliza a vida pessoal e profissional de três investigadores de polícia que trabalham em uma delegacia da Moóca, em São Paulo. Carlão (Rodrigo Brassoloto), Latrina (Sérgio Cavalcante) e Diana (Sílvia Lourenço) são as três peças-chave dessa história dirigida por Edu Felistoque, que retirou a ideia e alguns personagens a partir de dois filme, um seu --"Inversão"-- e outro produzido por ele --"400 contra 1- Uma História do Crime Organizado”--, mas dirigido por Caco Souza.

Felistoque conta que "Bipolar" é uma estória desarmada, pois nela a intenção é retratar os policiais de forma mais realista, sem roupas limpas e caras embonecadas. A ideia, de acordo com o diretor, é "desmistificar os clichês de uma suposta realidade policial que costuma ser falsamente vendida pelo cinema e pela TV. O foco não está nas armas de fogo e nem no sangue jorrando, mas sim na cólera, na traição, na solidão e na mentira, que são armas muito mais perigosas”.

O nome da série, segundo Edu Felistoque, é apenas uma alusão à doença também conhecida como psicose maníaco-depressiva. "Essa perturbação que leva uma pessoa da euforia à depressão em segundos, mostrando comportamentos opostos e ambivalentes, estão expressos na vida de alguém que trabalha como policial: um cara que prende e mata bandidos de dia, ganha mal, chega em casa e precisa tentar ignorar tudo isso e ter uma vida normal", completa. O destaque da produção certamente é Rodrigo Brassoloto, uma espécie de tenente Wilson do seriado --personagem de Murilo Benício em "Força-Tarefa". Carlão é um policial duro, cheio de casos com mulheres jovens e bonitas, e com muitos traumas na bagagem. Seu papel é originalmente do filme "Inversão". "O Edu [Felistoque] construiu esse personagem para mim e quando surgiu a oportunidade de dar vida a ele novamente, adorei", diz.

A série tem bons atores, ainda que desconhecidos do grande público, mas carece de uma melhor amarração entre os episódios. A produção é cinematográfica --a série é a primeira da televisão brasileira a utilizar a câmera Red One 4K, o que garante mais qualidade e textura de imagem-- e a narrativa é daquelas que prende você no sofá. Porém, ao menos nos quatro primeiros episódios, a impressão que se tem é de um bom programa que ainda precisa dizer a que veio.

A história de um serial killer que mata um rapper permeia o primeiro capítulo, mas provavelmente os acontecimentos não serão solucionados. Felistoque afirma que a resolução de casos criminais não é o foco de "Bipolar", mas sim as vivências e os problemas enfrentados pelos policiais. "Não sabemos, por exemplo, se o crime do rapper será resolvido. São seis histórias que se desenvolvem ao mesmo tempo e que se unem. Mas é preciso ver até o final para saber o que cada personagem está realmente fazendo nesta série", diz.

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