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Serra diz achar "muito bom" que Chávez apoie Dilma

Serra diz achar "muito bom" que Chávez apoie Dilma

Atualizado: Quinta-feira, 6 Maio de 2010 as 9:55

O pré-candidato do PSDB, José Serra, ironizou hoje a declaração de apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. Em entrevista ao Grupo RBS, em Porto Alegre, o tucano criticou a interferência de Chávez nos meios de comunicação daquele país e disse que a entrada da Venezuela no Mercosul enfraqueceria o grupo.

Serra declarou:

''Chávez começou na vida pública encabeçando um golpe. Só depois foi eleito''.

Lembrado pelos entrevistadores que o venezuelano declarou torcer por Dilma nestas eleições, Serra respondeu:

''Quero te dizer uma coisa, até acho muito bom, no meu caso''.

O tucano disse ver necessidade de mudanças no Mercosul:

''Não reformar o Mercosul compromete sua existência. Você admitir parceiro por razão política é inacreditável''.

Serra também opinou sobre a relação entre Brasil e Irã e deu o seguinte conselho ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

''Sugiro a Lula que dê uma declaração à imprensa internacional pedindo ao [presidente iraniano, Mahmoud] Ahmadinejad que modere na repressão àqueles que se opõem a ele''.

O tucano afirmou que, se fosse presidente, não receberia Ahmadinejad no Brasil:

''Manteria as relações comerciais. Agora outra coisa é ter uma relação de carinho, afeto. Ele nega o massacre de judeus na Europa, manda quem se manifesta contra ele para a forca''.

Segundo Serra é preciso respeitar a "autodeterminação dos povos", mas "sempre que puder, ajudar nos direitos humanos".

O presidenciável disse ainda ser contra a proliferação de armas nucleares.

''Devemos sempre ser contra a bomba. Você não pode raciocinar que, se eu, a Rússia e os Estados Unidos têm, todos tem de ter. Se você ajudar a proliferar, você dificulta o controle''.

Dentro dos temas nacionais, Serra voltou a criticar os cargos comissionados dentro da máquina pública. Disse que, se eleito, vai promover um corte das indicações na estrutura do governo federal. E afirmou:

''Tenho certeza que tem uma gordura bovina europeia a cortar''.

Escândalos

O tucano mostrou desconforto ao falar sobre os escândalos de corrupção envolvendo o PSDB e o partido aliado DEM.  Ao ser questionado sobre o suposto esquema de desvio de recursos públicos durante a campanha ao governo do Estado do tucano Eduardo Azeredo.

''Que mensalão de Minas Gerais? O que é isso? Erro é erro, mas não teve mensalão. Quando Azeredo foi governador de Minas Gerais, nunca fez mensalão para deputados. Nunca''.

Indagado sobre o mensalão do DEM, supostamente chefiado pelo governador do Distrito federal, José Arruda, Serra disse:

''Teve uma diferença [em relação ao do PT]. O responsável foi posto fora do DEM''.

Ao ser questionado se sentia vergonha pelo deslize de Arruda, devolveu a pergunta:

''Quem agiu mais corretamente [PT ou DEM]?''.

Diante da insistência da repórter, Serra retrucou:

''Você não está respondendo à minha pergunta, está se comportando meio partidariamente''.

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