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Serra tem de ser visto no âmbito do governo FHC, diz Dilma

Serra tem de ser visto no âmbito do governo FHC, diz Dilma

Atualizado: Quinta-feira, 8 Abril de 2010 as 12

A pré-candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse nesta quarta-feira (7) que o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) precisa ser analisado no âmbito do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em entrevista à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, ela ressaltou que a mais recente gestão tucana do plano federal foi o governo FHC, e lembrou que Serra, que deverá disputar a Presidência da República, ocupou as pastas do Planejamento e da Saúde.

"Eu não tenho vergonha do Lula, eu não escondo o presidente Lula", disse Dilma, ao ser questionada sobre a estratégia do PT de estabelecer uma comparação na disputa presidencial deste ano entre os governos Luiz Inácio Lula da Silva e FHC.

Por meio da assessoria do PSDB, o senador Sérgio Guerra disse que "o assunto Dilma para o partido hoje é a demagogia e a cara de pau da visita dela ao túmulo de Tancredo Neves". O partido preferiu não comentar as declarações da pré-candidata sobre Fernando Henrique.

O ex-presidente fará um discurso no lançamento da pré-candidatura de Serra, no próximo dia 10, em Brasília. Inicialmente, cogitou-se que apenas o candidato e os presidentes dos três partidos da coligação que o apóiam - Sérgio Guerra (PSDB), Rodrigo Maia (DEM) e Roberto Freire (PPS) – falariam no encontro.

Coisas boas

A ex-ministra disse, porém, que é preciso reconhecer "coisas boas que foram feitas no passado" e citou a Lei de Responsabilidade Fiscal do governo tucano.

No seu segundo dia de visita a Minas Gerais, Dilma considerou a relação do ex-governador do Estado Aécio Neves com o governo federal como exemplar.

Dilma acredita que é possível que ocorra novamente em Minas um fenômeno como o "Lulécio" - voto simultâneo em Lula para presidente e Aécio para governador, que marcou as eleições de 2006 no estado - no caso, a predileção do eleitorado mineiro por ela no plano presidencial e pelo governador Antonio Anastasia (PSDB) na sucessão estadual. "Eu não posso dizer o que vai acontecer, mas é possível."

Palanque único

A ex-ministra voltou a pedir que PT e PMDB se entendam em Minas Gerais para a composição de um palanque único e contou que está otimista com essa possibilidade.

Acompanhada dos pré-candidatos petistas ao governo mineiro Patrus Ananias e Fernando Pimentel, Dilma visitou pela manhã o Colégio Estadual Milton Campos, onde estudou e iniciou sua militância de combate ao regime militar.

Ela voltou a ressaltar suas origens mineiras, sem deixar de lado a experiência vivida no Rio Grande do Sul, onde fez sua carreira pública. "Muitas vezes eu já me peguei falando: Barbaridade, uai."

Na entrevista, Dilma foi perguntada, mas respondeu que "infelizmente" não está namorando. No fim, ao responder sobre políticas do governo Lula para os aposentados ela brincou afirmando que está "celeremente indo para a terceira idade".

Chuvas no Rio

Sobre a tragédia causada pelas chuvas no Rio de Janeiro - que deixaram ao menos 103 mortos, de acordo com dados do governo do estado -, Dilma a classificou como uma catástrofe de dimensões gigantescas, resultado de falta de investimentos em habitação nos últimos 25 anos no Brasil.

A ex-ministra disse que entrou em contato por telefone com o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito Eduardo Paes (PMDB). "Acho que a gente tem de prestar imensa solidariedade ao Rio."

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