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Shyamalan nasceu para o 3D e vice-versa

Shyamalan nasceu para o 3D e vice-versa

Atualizado: Sexta-feira, 20 Agosto de 2010 as 1:12

"O Mestre do Ar" é um bom filme, como costumam ser os de M. Night Shyamalan, ao menos para mim, que o tenho na conta de um dos autores mais interessantes do cinema, hoje em dia.

Ele desafia o ritmo frenético habitual aos blockbusters contrapondo-lhes uma sóbria meditação, o mistério do mundo, eventualmente o terror.

"O Mestre do Ar" concede à ação, claro, e não faltam cenas de batalha, de kung fu, etc.

Mas no centro está o Avatar, o iluminado, o mestre do ar. E tudo que o envolve diz respeito à meditação, à busca de um conhecimento espiritual de que não dispõe: é preciso que penetre em determinados segredos para cumprir a missão que tem.

O problema é que, um século atrás, o Avatar (que é uma espécie de Dalai Lama com poderes sobre os quatro elementos que, por coincidência, constituem as quatro nações desse tempo (tempo nenhum, tempo de fantasia).

Ele é, portanto, aquele a quem cabe preservar o equilíbrio universal.

Mas sobre sua cabeça pesa o fato de ter fugido ao seu destino. O destino de seus pais espirituais.

Porque tudo no filme diz respeito aos pais, à herança, à necessidade de ser digno dela.

O passado é um peso nas costas de cada personagem, cada um à sua maneira, na medida em que há contas a acertar com ele.

Sempre há.

Um belo filme, porque os gestos meditativos exploram bem a profundidade do 3D, dão-lhe tempo e sentimento.

Embora o 3D deixe a imagem um tanto escura (talvez seja um defeito do cinema onde vi o filme, não sei).

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