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Sistema de alerta de enchentes começa em SP

Sistema de alerta de enchentes começa em SP

Atualizado: Quinta-feira, 9 Dezembro de 2010 as 9:29

Anunciado pelo governo de São Paulo em outubro passado, o Sistema de Prevenção e Alerta de Enchentes entrará em fase de testes nesta semana. Apesar de a temporada de chuvas já ter começado no Estado, ainda não há data definida para que o sistema esteja plenamente implantado, segundo o superintendente do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), Amauri Pastorello.

As populações que vivem em áreas de risco serão alertadas sobre a possibilidade de transbordamento de rios por meio de SMS (mensagens via celular). O cadastro, feito pessoalmente por agentes do Daee, começou na última quarta-feira (1º) e contabiliza até agora entre 200 e 300 pessoas das regiões dos córregos Zavuvus e Meninos, na zona sul da capital paulista.

Pastorello explica que os habitantes de áreas de risco serão consultados para cooperar com o sistema de alerta. Segundo ele, não são todos os moradores que receberão o aviso. A preferência, de acordo com o superintendente do Daee, será para os que vivem perto de córregos.

- Eles podem avisar os vizinhos e colegas para que tomem as providências que acharem necessárias. Em Zavuvus, existem cerca de 1.100 imóveis e 200 pessoas foram cadastradas. Se cada pessoa avisar outras cinco, o objetivo foi alcançado.

A meta é que, no total, 3.000 pessoas sejam cadastradas. A princípio, dez rios deverão ser monitorados: Meninos, Zavuvus, Três Pontes, Couros, Ribeirão Vermelho, Pirajussara, Juqueri, Oratório, Tamanduteí e Aricanduva.

Além da população, serão avisados também órgãos como a Defesa Civil estadual, o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) e o centro de controle operacional integrado das subprefeituras. A partir do momento em que a Defesa Civil estadual recebe o boletim, ela deve repassar a informação à coordenadoria responsável pelo município, que já tem as áreas de risco da cidade mapeadas. De acordo com a intensidade da chuva, o órgão define as medidas a serem adotadas.

De acordo com o tenente-coronel da Defesa Civil do Estado de São Paulo, José Félix Trigo, com a implantação do novo sistema, o órgão terá acesso a informações mais precisas no que diz respeito a inundações.

- Equipes vão para o local, onde identificam a situação e fazem uma reformulação no trânsito para evitar que veículos se dirijam para áreas de alagamento e inundação.

Se necessário, os moradores podem ser removidos para locais seguros. O Corpo de Bombeiros também é avisado e, por sua vez, desloca viaturas para áreas afetadas pela chuva.

A princípio, o telefone celular será a única ferramenta de aviso aos moradores. De acordo com Pastorello, pesquisas e o próprio cadastramento dos moradores mostraram que a maioria tem telefone celular e sabe usar o serviço de SMS. Também é estudada a possibilidade de o alerta ser emitido via Twitter, rede de microblogs.

Como funciona

A proposta do sistema para as bacias do Alto Tietê e do rio Piracicaba é alertar sobre a possibilidade de inundações cerca de duas horas antes de elas acontecerem.

A previsão será feita a partir do cruzamento de dados meteorológicos e hidrológicos, como níveis de água em rios e córregos, que serão transmitidos de dez em dez minutos para uma central de monitoramento. Um modelo matemático desenvolvido por professores da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) permitirá saber se o volume de chuva será superior à capacidade de controle das obras hidráulicas existentes.

As informações pluviométricas serão coletadas por um conjunto de medidores de chuva remotos e por um radar meteorológico instalado no município de Salesópolis, a 101 km de São Paulo. As informações de nível d'água nos rios e reservatórios serão coletadas por estações telefluviométricas instaladas em pontos das duas bacias.

Duas salas de situação já foram montadas, uma em São Paulo e outra em Piracicaba, a 160 km da capital paulista. Em breve, o governo pretende implantar a terceira em Taubaté (140 km de São Paulo), na região do Vale do Paraíba.

Nessas centrais, há integração dos dados sobre chuva e níveis de rios com informações de outras instituições, como Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado), Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e Cesp (Companhia Energética de São Paulo).

Para implantação do sistema, o governo investiu R$ 2 milhões. Além disso, serão gastos mais R$ 8 milhões para compra de um novo radar.

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