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'Só Deus para me dar força', diz mãe de bebê com perna amputada no Rio

'Só Deus para me dar força', diz mãe de bebê com perna amputada no Rio

Atualizado: Quinta-feira, 10 Março de 2011 as 2:06

Ao falar da filha, um bebê com menos de 20 dias de vida que teve uma perna amputada por suposto erro médico, Karen Caroline Nascimento da Silva não consegue conter as lágrimas. "Eu estou sofrendo muito sem a minha filha do meu lado. Se isso não tivesse acontecido, ela já ia estar em casa desde sábado. Está sendo muito forte, muito difícil, muito difícil mesmo. Só Deus para me dar força”, desabafou, chorando.   A família da menina acusa médicos do Instituto Fernandes Figueira (IFF), ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Benfica, no subúrbio do Rio de Janeiro, de causarem a amputação de uma das pernas da recém-nascida. Segundo os parentes, a criança, que nasceu com quadro de hidranencefalia grave - acúmulo de líquido na cabeça no lugar de parte do cérebro - passava por um procedimento neurocirúrgico quando teve sua perna queimada por um equipamento.

O hospital informou que a direção já começou a ouvir a equipe envolvida para apurar responsabilidades e causas e também está inspecionando os equipamentos para tomar as providências necessárias.

Polícia aponta erro médico

De acordo com o delegado Pedro Paulo Pontes, da 9ª DP (Catete), que investiga o caso, houve um erro médico.O cirurgião responsável pela operação vai responder por lesão corporal culposa. A pena é de 6 meses a 1 ano e 4 meses de prisão, mas pode ser revertida a prestação de serviços comunitários.

A polícia também vai fazer uma vistoria no centro cirúrgico para verificar as condições do bisturi elétrico usado no procedimento. O delegado disse ainda que, a princípio, o hospital não pode ser responsável por um erro da equipe médica.

Nesta quinta-feira (10), a mãe e a avó da menina foram ao hospital. A família espera uma investigação rigorosa sobre o caso. “Quando vi fiquei desnorteada, foi uma queimadura mesmo. A gente quer justiça”, disse Maria da Penha do Nascimento, avó da criança.

A polícia marcou para segunda-feira (14) o depoimento de dois médicos que participaram da cirurgia. O estado de saúde do bebê é estável e a menina já respira sem a ajuda de aparelhos.

Placa de ferro

“Os médicos falaram que tinha uma placa de ferro embaixo da perninha da menina e que não deveria passar corrente por essa placa. Eles só perceberam que a placa estava ligada quando o aparelho apitou. Eles desligaram, mas só depois, quando tiraram o pano que cobria a neném é que eles viram a queimadura”, contou a avó.

Em nota, o Instituto Fernandes Figueira informou que "durante a cirurgia, a equipe observou a ocorrência de uma queimadura na região proximal da perna direita, onde havia sido colocada a placa para utilização do bisturi elétrico, procedimento padrão nesses casos. O evento, que causou alterações de fluxo sanguíneo no membro lesionado, foi imediatamente notificado à direção do Instituto, que iniciou investigação para apurar as causas do ocorrido”.   A amputação aconteceu na segunda-feira (7): “Minha filha começou a gritar, pedindo para os médicos não cortarem a perninha dela”, disse Maria da Penha.

De acordo com o IFF, a família tem sido apoiada por psicólogos e assistentes sociais da instituição. “Está doendo muito. É tudo muito triste. Ver minha filhinha assim, toda entubada. Uma neném que estava boa, só com uma sondinha, ficar assim cheia de tubos”, desabafa Karen.

Família diz que recebeu vale-transporte do hospital

Apesar da posição do hospital, a família nega que tenha recebido apoio por parte do hospital. “Eles não falam nada. Não prestaram qualquer assistência, a única coisa que nos deram foi um Riocard de R$ 40 para que viéssemos visitar a bebê”, disse Karen.

Segundo o hospital, o atendimento psicológico e social é requisitado pelo paciente ou por encaminhamento do médico. Ainda de acordo com o IFF, neste caso, a família não tem ficado muito presente no hospital, o que causou dificuldade inclusive da equipe médica fazer contato com os familiares para informações sobre o estado de saúde da criança.

Sobre o vale-transporte, o IFF confirma que o vale-transporte foi doado para a família para facilitar a locomoção dos familiares durante o período de internação do bebê.      

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