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'Só eu sei o tamanho da dor que sinto', diz mãe de jovem assassinado

'Só eu sei o tamanho da dor que sinto', diz mãe de jovem assassinado

Atualizado: Sábado, 2 Julho de 2011 as 11:48

Maria Aparecida (centro) diz que a morte do filho Paulinho provoca

uma dor muito grande (Foto: Aliny Mary/G1 MS)

  Cinco famílias com a mesma dor, perder um filho pela violência, se reuniram nessa sexta-feira (1º), em Campo Grande, com o objetivo de unir forças para criação de uma fundação que terá como tema o perdão e a justiça. O casal Keiko e Masataka Ota, que tiveram o filho de oito anos sequestrado e morto em 1997, em São Paulo, fundaram o Instituto Ives Ota e compartilharam a experiência com as famílias da capital.

O idealizador da fundação é João Escobar, pai do segurança Jefferson Bruno Gomes Escobar, de 23 anos, que morreu após uma agressão na porta da boate onde trabalhava em Campo Grande. “A união é muito importante, quando perdemos um filho ficamos muito abalados e só com a ajuda de pessoas que passaram por isso, a situação pode ficar um pouco melhor”, afirma.

João Escobar (terno) é um dos que lidera a iniciativa de criar a

fundação em MS (Foto: Aliny Mary/G1 MS)

De acordo com João, a ideia é que a fundação tenha o apoio do Instituto Ives Ota. Ele acredita quea troca de experiências seja fundamental para que o projeto saia do papel. “Nosso objetivo será o de cobrar o posicionamento da justiça e dar apoio psicológico aos familiares que passam por esse trauma”, diz.

Os pais de Ives Ota que foram convidados pelos familiares de Jefferson Bruno, emocionaram a todos com a história da morte do filho que após ser sequestrado por seguranças do comércio da família, foi morto com dois tiros no rosto por reconhecer um deles.

Outra família que esteve presente no encontro foi a de Paulinho, assassinado quando tinha 17 anos, em fevereiro de 2010, após um assalto em um mercado no Jardim Tarumã, em Campo Grande. A mãe do jovem, Maria Aparecida Neres ressaltou a importância de estar com outras famílias.

“A gente sempre pensa que acontece na casa ao lado, mas nunca na sua. Quando aconteceu com meu filho, eu resolvi participar de manifestações e reuniões que tratassem sobre a violência, pois só eu sei o tamanho da dor que sinto”, conta Maria.

Outras famílias que participaram da reunião foram a da jovem Bruna Karoline de 15 anos, morta em janeiro de 2011, por uma adolescente de 18 anos, no bairro São Francisco, e a do jovem Ítalo Nogueira, morto aos 27 anos, pelo filho de um policial em junho de 2010.

Encontro para criação da fundação contra a violência foi realizado

 nesta sexta em Campo Grande (Foto: Aliny Mary/G1 MS)

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