MENU

Só peguei carona, diz Bernardo sobre uso de aviões em campanha

Só peguei carona, diz Bernardo sobre uso de aviões em campanha

Atualizado: Quarta-feira, 24 Agosto de 2011 as 11:12

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou na tarde desta terça-feira (23) que pegou “carona” nos aviões locados pela campanha ao Senado da sua mulher, a atual ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em 2010.

Em audiência na Subcomissão de Rádio Digital da Câmara dos Deputados para falar sobre radiodifusão, Bernardo respondeu a perguntas de deputados sobre as denúncias da edição do último final de semana da revista "“Época".

Segundo a reportagem , dois parlamentares teriam relatado que o casal foi visto em avião de uma construtora que supostamente financiou a campanha de Gleisi Hoffmann ao Senado e que tinha negócios com o governo. De acordo com a revista, Bernardo teria auxiliado, ainda como ministro do Planejamento, a realização de uma obra tocada pela empreiteira no entorno de Maringá, no Paraná . Bernardo disse que a campanha de Gleisi tem registros dos pagamentos, aprovados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

“"A campanha providenciava avião, mas eu não fui candidato. A campanha da candidata Gleisi tem registrados os pagamentos que correspondem ao que ela usou. Ela gastou em torno de R$ 8 milhões na campanha dela. O TRE aprovou. [...] Eu não fui candidato, não tenho prestação de conta alguma. Eu só peguei carona"”, afirmou o ministro.

Indagado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) sobre se conhecia os sócios da empreiteira que seria a proprietária do avião utilizado na campanha de Gleisi, segundo a revista "Época", Bernardo disse que os conhecia.   O ministro afirmou que participou de uma festa oferecida pela empresa para comemorar a liberação dos recursos do PAC para as obras do entorno de Maringá, realizadas pela empreiteira. Bernardo, contudo, afirmou que não sabe se o avião utilizado na campanha pertencia ao empresário.

“"Eu conheço o sócio da empresa. Quando foi feita a liberação dos recursos para a obra, houve inclusive uma festa e eu participei. Um dos sócios eu conhecia há muito tempo. Eu sou muito prudente nestas respostas. Eu já peguei carona em campanhas. Agora, eu não tenho a mínima idéia do prefixo do avião que o sócio tem. Eu viajo de avião de carreira e andei na campanha não de jatinho, de avião pequeno. Não era um jatinho, era um avião pequeno"”, disse.

Obra

Segundo Bernardo, o recurso da obra realizada pela empreiteira no Paraná estava inclusa no PAC, mas que o recurso foi destinado por meio de emendas da bancada paranaense. Segundo o ministro, a bancada se mobilizou de forma semelhante à bancada gaúcha, que pedia a liberação de recursos para as obras do Trensurb, que liga Porto Alegre a Novo Hamburgo.

“''A obra tão comentada do entorno foi contemplada por emenda parlamentar, foi uma emenda da bancada de deputados e senadores do Paraná. Da mesma forma que a bancada gaúcha procurou para nós liberar a bancada paranaense se mobilizou. A emenda foi feita pelo congresso. Os parlamentares do meu estado fizeram e nos convenceram que era viável, assim como o Trensurb no Rio Grande do Sul''”, disse.

Paulo Bernardo afirmou que não falaria pela ministra. Na segunda-feira, Gleisi divulgou uma nota negando supostas irregularidades.

"Eu não vou responder nada sobre a ministra Gleisi Hoffmann. Não sou o procurador dela. Nem para pagar conta de luz ela me da procuração. Eu não vou responder se ela usou ou não [avião] na pré-campanha" “, afirmou.

No final da audiência, o ministro voltou a dizer que a denúncia de favorecimento da empresa é ''rídicula''.

“'Eu não conheço o avião. Eu falei que, em outras ocasiões, quando fui deputado, em outras ocasiões peguei carona. Eu não posso descartar [se é o avião do sócio da empreiteira]. Eu não conheço o avião. Eu, apenas por questão de prudência, fiz. O que eu quero dizer e repelir é dizer que um ministro pega um avião em troca de favores. Isso é uma coisa ridícula, leviana e irresponsável'', disse Bernardo.

veja também