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Sobreviventes chamam militares de anjos verdes

Sobreviventes chamam militares de anjos verdes

Atualizado: Quinta-feira, 20 Janeiro de 2011 as 3:30

Vai ser difícil e demorada a recuperação da região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Muitos lugares quase sumiram, cobertos pela lama. Mas no meio de tanta dor e perdas, existem os sobreviventes. São pessoas que, por milagre, sorte ou muita luta, conseguiram salvar o bem mais precioso: a vida. Só que não é tão simples estar vivo sem casa, recursos e referência. A equipe do R7 acompanhou o trabalho de uma equipe de socorristas que levou mantimentos e atendimento médico ao bairro Granja Spinelli, em Nova Friburgo, que estava isolado há sete dias.

O cenário até chegar ao local é desolador e repleto de obstáculos. Militares e médicos não desistem. Na chegada à comunidade, os moradores nem têm palavras para descrever o que estão passando. O padeiro Gil Vair ainda tenta processar tanto sofrimento.

- É uma coisa que não tem nem explicação. A gente perdeu cueca, não tem roupa, não tem nada. Os bens materiais são necessários, mas o atendimento médico também não pode faltar. As comunidades isoladas não tiveram como ir a postos de saúde ou hospitais. A ajuda chegou até eles. De acordo com o médico voluntário Leonardo Pimentel, foram registrados muitos casos de fratura e de hipertensão.

- Nós temos caso de pacientes que estão tendo pressão alta até por causa do nervosismo. Há um pânico geral na população também.

Os casos mais graves estão sendo removidos para os hospitais. Quem não precisa ser retirado de onde vive, se recupera como pode. No meio da tragédia, as crianças também chamam a atenção. Elas sofrem, mas conseguem falar o que sentem e brincam para esquecer um pouco da dor. As amigas Vitória Rosa e Tainara Alves estão unidas para superar o trauma. Para elas, é possível tirar um pouco de felicidade em coisas simples. Tainara comemora ter salvado uma boneca Barbie que adora. - Minha casa ficou cheia de água. Eu coloquei alguns brinquedos em cima da cama. Salvei a minha Barbie. Os outros foram todos pro beleléu.

Mesmo quem trabalha no socorro, com muita garra e coragem, se emociona com a situação. O sargento da Marinha Lindow Johmsom se sente gratificado por ajudar, mas encara o trabalho também como lição de vida.

- Eles nos tratam como anjos, alguns nos chama de anjos verdes. É o nome dado pela população quando chegamos aqui.    

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