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Suspeito de matar mulheres em GO diz ouvir voz que ordenava crimes

Suspeito de matar mulheres em GO diz ouvir voz que ordenava crimes

Atualizado: Segunda-feira, 26 Julho de 2010 as 9:40

O Fantástico obteve com exclusividade imagens do depoimento de Adaylton Neiva, 31 anos, suspeito de ter matado seis mulheres nos últimos 12 meses. Ele afirma ouvir uma voz que ordenava os crimes. “Uma coisa falava no meu ouvido, uma voz. Eu ia lá e fazia”. Adaylton morava em Novo Gama, Goiás, e foi preso na terça-feira (20) em Picos, no Piauí, após sete meses de investigação.

As imagens do depoimento em que o suspeito confessou os crimes foram feitas por uma câmera que registra imagens em ambientes onde não há luz. “A sensação era que queria matar. Tinha ódio, tinha raiva”, diz o suspeito. Segundo o delegado Fabiano Medeiros de Souza, Adaylton agia sozinho, não usava armas e sempre esganava as vítimas.

Ele foi preso pela primeira vez em julho de 2000, quando matou a mulher, que estava grávida de sete meses, e a enteada, de 5 anos. Os corpos foram enterrados no quintal da casa da família. Em 2001, a juíza Rosângela Santos, de Goiás, decidiu soltá-lo porque o prazo para que ele fosse julgado havia vencido.

Logo depois de ganhar a liberdade, Adaylton estuprou três mulheres. Voltou para a cadeia e foi condenado a mais de 41 anos de prisão. Em 2003, um laudo psicológico apontava que havia chance de Adaylton cometer novos crimes. Em 2004, os peritos consideraram que não havia melhora no quadro. Quatro anos depois, uma mudança no diagnóstico. O preso, segundo um novo laudo, apresentava estabilidade emocional e nenhum distúrbio psicológico . “O Adaylton jamais foi avaliado criteriosamente por profissionais da área de psicologia, psiquiatria”, afirma o delegado .

O Fantástico entrou em contato com a Polícia Civil do Distrito Federal, com as secretarias de Segurança Pública e do Sistema Penitenciário e com assessoria do Tribunal de Justiça, mas não obteve retorno. O juiz Osvaldo Tovani, que concedeu a Adaylton em 2008 o direito ao regime semiaberto, preferiu não comentar o caso.

Segundo a polícia, Adaylton aproveitou o direito de ficar fora da cadeia durante o dia para voltar a cometer crimes. Em outubro do ano passado, Adaylton fugiu. Dois meses depois, ele matou Alessandra Rodrigues, de 14 anos. Esta semana, ele mostrou onde enterrou o corpo.

Segundo as investigações, dez dias antes de matar Alessandra, Adaylton assassinou outras duas mulheres no mesmo dia, uma pela manhã e outra à tarde. O crime foi próximo a um rio e a polícia ainda procura os corpos. Segundo a polícia, ele confessou que matou as duas mulheres por esganadura.

A polícia ainda não sabe o que Adaylton fazia para atrair as vítimas. Ele afirma ser viciado em drogas como maconha e crack e se considera um doente mental. “Eu preciso de um tratamento. Se eu sair desse jeito, eu vou matar.”

Para o psiquiatra Marcos Ferraz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as chances de recuperação de Adaylton são pequenas. “A capacidade de uma melhora radical que permita viver bem na sociedade é pequena. O judiciário tem que ter prudência nesses casos. Existem pessoas que tem distúrbio de personalidade extremamente grave e o benefício da progressão pode causar risco à sociedade”.

Há três meses, na mesma região de Goiás, o pedreiro Ademar Silva foi preso e confessou o assassinato de seis jovens. Ele já tinha sido condenado por crimes sexuais e estava no regime semiaberto, apesar de um laudo indicar sinais de doença mental. “Está na hora da sociedade olhar mais pra esse tipo de pessoa pra gente avaliar se nós estamos fazendo a coisa certa, porque casos como este já aconteceram e até quando irão acontecer?”, diz o delegado Fabiano Medeiros de Souza.

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