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Suspeito de matar PM na Rocinha é identificado

Suspeito de matar PM na Rocinha é identificado

Atualizado: Quarta-feira, 4 Abril de 2012 as 12:42

Policias militares do Batalhão de Choque que fazem patrulhamento na Via Ápia, uma das entradas da Rocinha, na Zona Sul.do Rio, informaram no fim da manhã desta quarta-feira (4) que já sabem quem matou o cabo Rodrigo Alves Cavalcanti, nesta madrugada. Pouco depois do crime, os policiais receberam a informação de moradores de que o suspeito, identificado como Edílson Tenório de Araújo, estaria escondido numa lage. Quando lá chegaram perceberam que o suspeito tinha acabado de fugir, deixando os documentos.

Os policiais conseguiram o nome e a foto do suspeito que, segundo disseram, é conhecido na Rocinha como traficante de drogas e teria em torno de 40 anos. Por volta das 8h30 desta quarta, cerca de 150 policiais entraram na favela em busca do suspeito. Entre os moradores o clima nesta manhã era normal, com crianças indo para a escola. O comércio e o movimento de mototaxistas também era normal. Dois carros do Batalhão de Choque fazem o patrulhamento de rotina na entrada da Via Ápia.

Por volta do meio-dia, o major Edson Santos, coordenador do policiamento na Rocinha, percorria a comunidade a pé. Segundo ele, desde o início da operação não houve qualquer tipo de conflito, confronto ou hostilidade.

"A ação prossegue com muita tranquilidade", enfatizou. Segundo ele, a maior parte da operação é realizada a pé pelos policiais, dada a grande quantidade de vielas na favela que não permitem a passagem de veículos. Até o início desta tarde, não houve prisões nem apreensões.

Cabo será enterrado com honras militares

O policial Rodrigo Alves Cavalcante, de 33 anos, foi baleado em um patrulhamento na comunidade. Essa é a terceira morte em menos de dez dias e a nona em quase dois meses na comunidade. A vítima chegou a ser levada por colegas para o Hospital Miguel Couto, na Gávea, onde morreu.

O BPChoque informou que o policial e outros PMs faziam patrulhamento a pé na localidade conhecida como 99, na parte alta da Rocinha, quando foram surpreendidos por quatro homens armados por volta de meia-noite. Após os tiros, os criminosos fugiram.

Filho de um policial militar da reserva, o cabo Rodrigues será enterrado com honras militares. Até o fim desta manhã, ainda não tinham sido definidos o local e a data do sepultamento.

A PM pede a colaboração da população na captura do suspeito. As denúncias podem ser feitas pelos telefones 2332-8486, do setor de inteligência do BPChoque, ou pelo 2253-1177, do Disque-Denúncia. O anonimato é garantido.

Outras mortes

Desde a prisão do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, o controle do tráfico na comunidade é disputado por criminosos de facções rivais.

No domingo (1º), um homem identificado como Alexandre da Cunha Fernandes, de 30 anos,foi morto na localidade Via Ápia. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Na noite de segunda-feira (2), a Polícia Civil informou que o suspeito de cometer o crime já foi identificado por agentes da DH.

Na semana passada, o líder comunitário Vanderlan Barros de Oliveira, conhecido como Feijão, foi morto a tiros quando chegava à associação de moradores. Dias antes, um tiroteio matou quatro pessoas.

Por conta da violência, a Polícia Militar chegou a reforçar o patrulhamento na comunidade, com 300 homens. Mas a Secretaria de Segurança Pública já anunciou que mais 700 policiais, todos recém formados, vão ajudar a patrulhar a favela.

Denúncia de propina

A Secretaria de Segurança também abriu inquérito para apurar suspeitas de pagamento de propinas a policiais na Rocinha

Pela denúncia, os PMs receberiam R$ 80 mil por mês para facilitar a vida de traficantes e não reprimir a venda de drogas em alguns locais da comunidade. Segundo documento da Polícia Civil de fevereiro, os policiais teriam recebido ainda R$ 200 mil de entrada. A venda de drogas estaria sendo feita em pontos escondidos da comunidade, enquanto os PMs fariam o patrulhamento nas ruas principais da Rocinha.

Operação Choque de Paz

A comunidade da Rocinha, além do Vidigal e da Chácara do Céu, foi ocupada pacificamente pelas autoridades policiais no dia 13 de novembro de 2011, durante a Operação Choque de Paz. Segundo o governo do Rio, a ocupação havia sido planejada há vários meses pelo serviço de inteligência das forças de segurança. Cerca de 3 mil policiais participaram da ação.

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