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Taxistas dispensam corrida por medo da violência em Salvador

Taxistas dispensam corrida por medo da violência em Salvador

Atualizado: Terça-feira, 24 Maio de 2011 as 8:50

Os taxistas de Salvador estão assustados com a onda de violência na capital. Muitos estão deixando de trabalhar à noite, e quem resiste, confessa que vive tenso. O perigo pode vir de um passageiro ou de outro motorista no trânsito.

Vinte e cinco anos de profissão. José Roberto, que só trabalha à noite, é um taxista com experiência de sobra. E tem um jeito próprio de se proteger dos perigos da rua.

"A gente olha bem o passageiro que vai pegar o táxi. De repente, se o corpo esmorecer assim, pelas feições da pessoa, a gente diz: pô, já modulei uma corrida aqui, irmão. Pô, não vou lhe levar, irmão", diz o taxista.

Trabalhar atrás do volante é conviver com uma rotina de incertezas. Os motoristas de táxi tem que driblar tudo isso e ainda atender muito bem a clientela. "Se defender dos buracos na rua, tratar bem o passageiro e se preocupar com a violência que nós temos atualmente em Salvador", explica o taxista Luís Gonzaga.

Em um ponto de táxi em um dos cartões postais da capital baiana, o Farol da Barra, alguns motoristas têm pouco tempo de serviço. Um deles, José Dias, vê vantagens no trabalho sem patrão. "É autônomo, né? A gente pode se esforçar mais pra conquistar uma coisa a mais, só depende de nós. Tem essa vantagem. A desvantagem é que a gente trabalha com certo receio da violência, né? Então, é importante pra gente procurar ter cuidado também, saber de que forma a gente vai tá conduzindo as pessoas, pra que lugar, quais as intenções das pessoas", diz.

Os taxistas de salvador estão cada vez mais preocupados com a segurança. "A preocupação é de dia e de noite. Perigoso pelo fato de assalto toda hora, como o caso do colega aí por uma discussão de trânsito. Tá acontecendo muita coisa porque o dia-a-dia a gente tem que pagar uma diária cara, tem que correr atrás e aí, cai no buraco, você se estressa, uma pessoa lhe dá uma fechada, você se estressa, e hoje não sabe quem é quem no trânsito", relata o motorista de táxi Robson Santana.

O último caso que assustou a categoria em Salvador, aconteceu no último domingo (22). O taxista Paulo Roberto Souza, de 34 anos, morreu por causa de uma discussão de trânsito no bairro de Campinas de Pirajá. Ele foi enterrado na segunda-feira (23).

Testemunhas disseram que Paulo Roberto não teria dado passagem a um carro que estava atrás dele e o motorista do carro, que ainda não foi identificado, disparou vários tiros contra o taxista e fugiu.

Na segunda-feira (23), parentes e colegas da vítima fizeram uma manifestação em frente à Secretaria de Segurança Pública, na Praça da Piedade, em na capital baiana. "Estamos fazendo essa mobilização porque a insegurança para o taxista tá muito grande. A gente tem que lutar pelo nosso direito, entendeu? Porque pra ficar dessa forma que não dá. Eu perdi agora meu sobrinho, era meu sobrinho ele", relata o Luis Cláudio, taxista e tio da vítima do último domingo.        

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