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"Tem que ser uma coisa discreta", diz Serra a vice sobre amantes

"Tem que ser uma coisa discreta", diz Serra a vice sobre amantes

Atualizado: Quinta-feira, 1 Julho de 2010 as 6:09

Ao fazer seu discurso de encerramento na sabatina promovida pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) nesta quinta-feira (1º), o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, comentou o relacionamento do seu vice, o deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ), com uma filha do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, condenado a 13 anos de prisão, em 2005, por gestão fraudulenta do Banco Marka e por corrupção de servidor público, em um esquema que teriam causado rombo de mais de R$ 1 bilhão.

Indio disse que foi namorado da filha do ex-banqueiro, mas alguns órgãos de imprensa chegaram a divulgar que o vice de Serra teria sido genro de Cacciola.

A informação levou o candidato a contar a conversa que teve com Indio para esclarecer o episódio.

"Ontem, foi apresentado o nosso Indio para a vice-Presidência. Ele é um homem jovem, preparado, com experiência, que vai crescer muito e ter muita responsabilidade. É um namorador? [Serra perguntou apontando para Indio na plateia]. Não. Ele [Indio] me disse que não. Tem uma namorada. Ele me disse por telefone: 'não tenho amantes'. Eu até disse: 'também não precisa exagerar'. O que tem que ser é uma coisa discreta", afirmou Serra que, diante da surpresa dos participantes do evento, complementou: "Não estou aqui pregando pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar."

Falta de debate

Único a participar da sabatina da Confederação Nacional da Agricultura, Serra criticou a ausência das candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) no evento.

Sem mencionar nomes, afirmou que sua estratégia de campanha era de ''transparência e da verdade'' e que ''outras estratégias'' não seguiriam a mesma linha.

''Estou aqui para debater e apresentar idéias. Os meus comunicadores não se opõem que eu debata, que eu vá a público. A nossa estratégia é da transparência e da verdade. Existem outras estratégias que não passam por aí'', afirmou Serra.

Serra também disse considerar ''lamentável'' a falta de debate entre os principais candidatos na disputa pelo Palácio do Planalto. ''Acho lamentável que eu não tenha oportunidade de debater. Já vi recusarem debate em TV a cabo, porque não devem saber o que responder'', afirmou Serra sem citar nomes.

Questionado se estaria atacando Dilma e Marina - pela falta de debates - com as declarações, Serra foi direto. ''Não ataco meus adversários. Esse julgamento será feito. Se alguém quer ser presidente da República, tem que dizer o que pensa, tem que ter o mínimo de exposição e comparação de idéias'', argumentou.

O candidato do PSDB condenou a limitação da campanha na ''publicidade'' que, segundo ele, ''vende candidatos como se fosse iogurte ou marca de bebida''.

''É muito importante que a gente debata para que a população conheça as propostas dos candidatos e possa comparar, fazer seu juízo a respeito dos candidatos. Tenho dito que o Brasil pode mais. Pode avançar no que foi feito e avançar no que não avançou na segurança, na saúde, na educação. Para isso, tem que ter debate'', complementou.

Sabatina

A CNA planejou realizar um debate entre Serra e as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), mas apenas o tucano confirmou presença. Dilma alegou problemas de agenda quando foi convidada, há um mês.

Marina confirmou presença, mas cancelou a participação, alegando desconhecer as perguntas que seriam feitas pelos produtores rurais. Diante da ausência das duas presidenciáveis, a entidade converteu o evento em uma espécie de sabatina com o candidato tucano. ''Nós gostaríamos muito de fazer aqui um verdadeiro debate'', afirmou Kátia Abreu, ao lamentar a ausência das candidatas.

A entidade entregou aos presidenciáveis o documento ''O que esperamos do próximo presidente - A agropecuária brasileira pede passagem'', com as reivindicações do setor para os próximos quatro anos. Foi a partir desse conjunto de demandas que as questões foram encaminhadas a Serra. ''Quero dizer que achei de muita qualidade o documento. É quase acadêmico'', afirmou Serra.

Ao ser anunciado no evento, com uma hora de atraso, Serra teve de enfrentar o imprevisto de um blecaute geral na sede da CNA. Convidados, jornalistas e o próprio presidenciável ficaram na completa escuridão por alguns instantes. O candidato a vice-presidente na chapa de Serra, deputado Indio da Costa (DEM-RJ) também estava no auditório no momento do corte de energia.

MST

O candidato do PSDB à Presidência da República criticou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao afirmar que o movimento ''usa a ideia'' da reforma agrária para pregar “mudança socialista” no Brasil, e condenou o repasse de verbas públicas ao movimento.

''O que é o MST? O MST é um movimento que prega a reforma agrária para, na verdade, usar a ideia da reforma agrária para uma mudança de natureza revolucionária, socialista do Brasil. Não quero reprimir as pessoas que pensam assim. Elas têm plena liberdade para propor. Só sou contra que usem dinheiro do governo para isso. Aí não dá. Ao governo não compete dar dinheiro para movimentos de forma disfarçada'', criticou Serra.

O G1 consultou o MST sobre a declaração do candidato e aguarda resposta.

Carga tributária e suicídio

Serra também criticou a ''sideral'' carga tributária brasileira, considerada por ele ''a mais alta do mundo desenvolvido''.

Ao citar países com carga mais elevada que a brasileira, afirmou que em países como a Suécia, Dinamarca e Finlândia, onde ''todo mundo já gastou o que tinha que gastar'', o índice de suicídios aumenta por conta da ''monotonia da vida''.

''O Brasil tem a maior carga tributária do mundo em desenvolvimento. Não estou comparando com a Suécia, com a Dinamarca, com a Finlândia. São países com uma renda tão alta, que todo mundo já gastou o que tinha de gastar, né? Aumenta o índice de suicídio pela monotonia da vida. Naturalmente, tem uma carga tributária mais alta por conta das aposentadorias, enfim'', disse Serra.

Nordeste

Questionado sobre o que iria realizar pelo Nordeste, Serra disse que, se eleito, irá priorizar a região nos seus seis primeiros meses de mandato.

''Se eu for eleito presidente da República, vou ser eleito também presidente da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Vou acumular, durante seis meses, a presidência da Sudene. Tem que retornar o seu papel de órgão de planejamento. O Nordeste tem variedade enorme e dinamismo enorme'', respondeu Serra.

Agências reguladoras

Serra também voltou a criticar o ''loteamento'' de cargos públicos na máquina federal e disse que, se eleito, irá ''estatizar o Estado brasileiro''.

''Temos que estatizar o estado brasileiro. Temos que estatizar as agências reguladoras, porque o Estado brasileiro e as agências foram apropriadas pelo setor privado. Que setor? Partidos, sindicatos que defendem seus próprios interesses e os interesses dos dirigentes'', afirmou.

''Não sou estatizante no sentido de criar, o que eu quero é que o que é estatal seja estatizado, só isso'', complementou.

Propostas do agronegócio

Serra foi sabatinado durante duas horas na CNA. Lideranças do setor, dívidas pelas regiões do país, tiveram a oportunidade de fazer perguntas diretas ao candidato sobre os seus planos para os próximos quatro anos de governo. As maiores reclamações do segmento estavam direcionadas aos à carga tributária, juros altos e dificuldades de financiamento.

''Posso garantir que vamos caminhar para encontrar uma solução para esses problemas'', disse Serra.

Por Robson Bonin

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