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Testemunha e acusados da morte de Mércia Nakashima chegam ao fórum

Testemunha e acusados da morte de Mércia Nakashima chegam ao fórum

Atualizado: Segunda-feira, 18 Outubro de 2010 as 10:25

O guardador de carros Bruno da Silva Oliveira foi a primeira testemunha a chegar no Fórum Central de Guarulhos, na Grande São Paulo, por volta das 8h desta segunda-feira (18) para a primeira audiência do caso Mércia Nakashima. Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo, os trabalhos poderão durar até três dias.

Oliveira é testemunha da acusação. Ele afirma ter visto Mizael Bispo de Souza, ex-namorado de Mércia e acusado pela morte da advogada, ter entrado no carro dela no dia 23 de maio, quando a advogada desapareceu. O guardador de carros disse ao  G1 que contará ao juiz ter visto Mizael passar na frente do Hospital Geral de Guarulhos nos dias 5, 12, 14 e 23 de maio. No local, Mizael alega ter ficado com uma garota de programa.   O ex-namorado e ex-sócio da vítima, o advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza, de 40 anos, e o vigia Evandro Bezerra Silva, de 39 anos, são apontados como “executor” e “partícipe” do assassinato, respectivamente. Para o Ministério Público, Mizael matou a ex-namorada e ex-sócia por ciúmes. Evandro é acusado pelo promotor Rodrigo Merli Antunes de auxiliar Mizael na fuga da cena do crime. O ex responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e dificultar a defesa da vítima). O vigilante também foi acusado pelo assassinato, mas com duas qualificadoras (meio cruel e dificultar a defesa da vítima).   Mizael e Evandro chegaram ao fórum por volta das 9h e não falaram com a imprensa. A família de Mércia Nakashima entrou no local pedindo justiça. A amiga da família Nakashima Elza Nogueira, de 66 anos, chegou por volta das 8h ao Fórum com uma faixa também pedindo justiça. Ela vai tentar acompanhar a audiência. Elza, que foi professora da mãe de Mércia, espera que os réus sejam levados a júri.

O crime ocorreu em 23 de maio, quando Mércia desapareceu após sair de carro da casa dos avós em Guarulhos. Após denúncia feita por um pescador, o Honda Fit foi localizado submerso na represa em 10 de junho. No dia seguinte, o corpo da advogada foi achado. Segundo o Instituto Médico-Legal (IML), ela foi baleada dentro do automóvel, desmaiou e morreu afogada. A vítima não sabia nadar. A testemunha contou à polícia que viu um homem não identificado deixar o veículo. Falou ainda ter escutado gritos de mulher.

Contra os acusados, a Promotoria e a Polícia Civil afirmam ter provas de que os réus participaram do crime. São elas: as ligações telefônicas feitas entre os réus no dia 23 de maio, o rastreamento do carro de Mizael e uma alga que só existe na represa e que foi encontrada no sapato do advogado. Além disso, Evandro chegou a dizer que Mizael matou Mércia por ciúmes. Também tinha contado que ajudou na fuga do assassino. Depois mudou a versão, negou tudo, e disse que a havia dado sob tortura policial.

Mizael sempre negou o crime. Evandro também passou a alegar inocência. Ambos respondem ao processo em liberdade provisória, mas são obrigados a comparecer a audiência. Existe ainda a possibilidade de, numa eventual pronúncia, de o juiz decretar a prisão preventiva dos réus ao dar a sentença, caso haja algum fato novo que justifique isso.

Ao final desta primeira audiência, o juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano deverá divulgar a sentença. Se pronunciá-los, os acusados de matar a advogada de 28 anos em 23 de maio numa represa em Nazaré Paulista, no interior do estado de São Paulo, deverão ser levados a júri popular. Se optar pela impronúncia, o caso será arquivado e não haverá julgamento.    

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