'Tô doido para voltar à iniciativa privada', diz Pagot em depoimento

'Tô doido para voltar à iniciativa privada', diz Pagot em depoimento

Atualizado: Terça-feira, 12 Julho de 2011 as 4:05

                                    Depois de depor durante cinco horas na Comissão de Infraestrutura do Senado nesta terça (12), o diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, deixou o plenário da comissão dizendo que “admira” o governo da presidente Dilma e que seu futuro no órgão dependerá dela, mas está “doido” para voltar a trabalhar na iniciativa privada.

Na longa audiência em que foi questionado por mais de 20 senadores, Pagot reconheceu “problemas” em obras de sua gestão, mas “refutou” denúncia de seu envolvimento e disse que todas as irregularidades são investigadas pelos órgãos de controle.

“O governo da presidente Dilma é um governo que admiro, um governo que trabalho alucinadamente para que ele aconteça. Venho da iniciativa privada, eu tô doido para voltar para a iniciativa privada”, afirmou Pagot.

O diretor afastado do Dnit prestou depoimento para esclarecer denúncias de superfaturamento em obras comandas pelo órgão. Nesta quarta, o diretor do Dnit irá à Câmara participar de audiência para esclarecer as mesmas denúncias aos deputados.

Pagot disse já ter conversado com o senador Blairo Maggi sobre projetos que teria para voltar a trabalhar na iniciativa privada: “Falei para o senador Blairo Maggi: tenho projetos para o Rio Madeira, tenho projetos para navegação de cabotagem. Se eu vou continuar no Dnit, eu não sei se vou continuar. Agora, eu não poderia deixar de vir aqui me manifestar.”

As declarações de Pagot decorrem da situação dele no órgão, já que foi afastado por determinação da presidente Dilma, junto com a cúpula do Ministério dos Transportes. O período das denúncias coincidiu com o de férias e ele acabou saindo para o período de descanso sem que sua situação fosse claramente definida. O Palácio do Planalto, no entanto, afirmou que Pagot deve ser exonerado quando retornar.

Perguntado se estaria afastado do órgão ou demitido, Pagot afirmou que está de férias, mas que caberá a presidente Dilma Rousseff decidir seu destino: “Sou diretor-geral do Dnit nomeado e estou de férias. Se serei exonerado ao completar esse período ou continuarei como diretor, obviamente, é uma decisão da presidente Dilma Rousseff.”

‘DNA de corrupto’

Pagot aproveitou a despedida do Senado para mandar um recado ao ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, devido as declarações dele de que “irregularidades estariam no DNA do Dnit".

“Quero dizer para o ministro Hage. Não concordo com o senhor, ministro Hage, num ponto. Concordo com as investigações, mas não concordo que o Dnit tenha DNA de corrupto. O Dnit é de gente que trabalha muito em prol do Brasil”, disse Pagot.     O diretor afastado do Dnit, Luiz Antônio Pagot,

durante audiência em comissão do Senado (Foto:

Márcia Kalume / Agência Senado)     Partido da República

O diretor afastado do Dnit afirmou ainda que o PR, partido ao qual é filiado, não utilizou o órgão para benefício próprio. “O PR não utilizou o Dnit para cooptar, para buscar qualquer tipo de mecanismo para buscar dinheiro para seus cofres”, disse Pagot.

Um dos autores do requerimento que convidou Pagot para falar no Senado, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) perguntou ao diretor do órgão sobre os partidos que teriam indicado diretores para o órgão, quis saber a situação do diretor no comando da pasta e citou denúncia da revista “Veja”, na qual a presidente Dilma Rousseff teria dito que o Dnit precisaria de “babás” para manter o controle sobre a evolução de gastos com obras.

Pagot relembrou a reunião com Dilma e argumentou que as obras do Dnit aumentaram de valor devido a ampliação dos projetos, como novas obras que não estavam no projeto inicial. Pagor afirmou que Dilma acompanhava as ações do Dnit quando era chefe da Casa Civil, mas deixou de acompanhar com frequência as ações da pasta após virar presidente e por isso ficou surpresa ao notar o aumento de valores de obras em relação ao período que era coordenadora do PAC.

“Não me surpreendi de ela ter se admirado que algumas obras estavam com o escopo bem superior daquele que constava no PAC. Mas a diferença não é sobre-preço, não é superfaturamento. Não acredito que esse ministério esteja descontrolado”, disse Pagot.            

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