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Tombini diz que absorção de dívidas no cenário será lenta

Tombini diz que absorção de dívidas no cenário será lenta

Atualizado: Quinta-feira, 29 Setembro de 2011 as 11:33

Tombini participou de abertura de congresso  no

Paraná (Foto: Roberto Dziura Jr. /News Free/AE)

  O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou nesta quinta-feira (29) que nos próximos cinco anos o mercado internacional terá dificuldades para se recuperar dos efeitos do endividamento crescente que atinge algumas das principais economias do mundo. "A absorção desse endividamento será lenta e deve durar pelo menos cinco anos", afirmou.

O presidente do BC participou nesta manhã da abertura do 22º Congresso Nacional de Executivos de Finanças (CONEF) em Curitiba, no Paraná.

"Tem havido uma crise de confiança, com o aumento do endividamento público fora do Brasil. Só nos Estados Unidos foram perdidos cerca de oito milhões de empregos nos últimos anos", ressaltou a autoridade monetária .

Durante palestra para empresários, ele avaliou que o contrapeso do endividamento pode ser o crescimento da economia.

Por outro lado, ele diz que as dificuldades passam pelo esgotamento dos instrumentos convencionais de controle, com taxas nominais de juros próximas de zero e taxas reais de juros negativas.

Na avaliação de Tombini, os efeitos da crise já se refletem em aspectos da economia brasileira que estão desacelerando o crescimento, como a indústria. "A capacidade produtiva da industria brasileira está acima da média histórica, mas já mostra sinais de moderação", disse.

Nesta manhã, o BC divulgou relatório de inflação do terceiro trimestre no qual aponta que a sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano recuou de 4% para 3,5%. Essa é a segunda redução da estimativa do BC para o crescimento de 2011 - que estava em 4,5% no fim do ano passado. A instituição não divulgou, até o momento, sua expectativa para o PIB de 2012.     Crescimento

No relatório de inflação divulgado hoje, a estimativa do BC para o crescimento do Brasil este ano segue abaixo da previsão do Ministério da Fazenda, que é de 4,5% de crescimento. A previsão da autoridade monetária, porém, está em linha com o que acredita o mercado financeiro, que estima uma expansão de 3,5% para a economia em 2011.

"Essa revisão reflete ações de política implementadas desde o final do ano passado e, principalmente, a deterioração do cenário internacional, que tem levado a reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos", informou o BC.

Segundo a autoridade monetária, a evolução do PIB no segundo trimestre do ano foi sustentada pela demanda doméstica e ratificou a perspectiva de "moderação da atividade". "O reduzido crescimento da produção industrial registrado no início do terceiro trimestre sugere que esse processo terá continuidade. Ressalte-se, além disso, a piora nos indicadores de confiança, na margem, e a elevação recente dos níveis de estoques industriais", avaliou a instituição.          

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