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Traficantes presos continuam dando ordens de ataques no Rio, aponta investigação

Traficantes presos continuam dando ordens de ataques no Rio, aponta investigação

Atualizado: Sexta-feira, 6 Novembro de 2009 as 12

Veja mais fotos da ''guerra'' do tráfico no Rio Ônibus queimado durante conflito na favela do Jacarezinho. Investigações concluíram que ordens para guerra nos morros partiram de presídios

A recente transferência de 11 chefes do tráfico do Rio de Janeiro para a penitenciária federal de Campo Grande (MS) é avaliada como benéfica pela Secretaria de Segurança Pública fluminense, que justifica a ação como forma de manter os criminosos longe de suas áreas de influência. Entretanto, mesmo distantes, os traficantes continuam mandando nos seus territórios, de acordo com policiais civis ouvidos pela reportagem do R7.

Investigações feitas pela Polícia Civil revelam que, de dentro dos presídios federais, os chefes da facção criminosa que comandou o recente ataque ao morro dos Macacos, em Vila Isabel, zona norte do Rio, em outubro passado, deram autorização para os cúmplices em liberdade continuarem a onda de violência na cidade.

Após participar na última quinta-feira (5) de audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, confirmou que a ordem dos ataques saiu de presídios, sem citar quais seriam as penitenciárias.

''No nosso entendimento sim [a ordem dos ataques partiu de presídios] (...) Os comandos que estão nos presídios têm uma palavra final nisso. Existe uma investigação, claro que sim. Os resultados que temos nós vamos mostrando para a sociedade, investigação a gente não fala, a gente mostra para a sociedade. Nós temos algumas informações que nos levam a essa definição. No momento apropriado a gente vai dar visibilidade''.

A reportagem do R7 apurou que, uma semana após a guerra no Morro dos Macacos - iniciada em 17 de outubro -, os traficantes soltos enviaram um comunicado para os chefões presos perguntando qual seria a posição do grupo: se daria uma trégua ou continuaria agindo com violência contra os rivais e a polícia. A resposta chegou na semana seguinte e, de acordo com os policiais, os chefes permitiram que a violência continuasse.

Outro lado

Questionado pelo R7, o Depen (Departamento do Sistema Penitenciário Nacional) informou desconhecer que detentos do Rio de Janeiro que estão em presídios federais tenham transmitido ordens para os cúmplices soltos continuarem com a onda de violência na capital fluminense.

De acordo com o órgão do Ministério da Justiça, caso tenha saído algo das penitenciárias, foi transmitido durante as visitas íntimas ou sociais que, pela Lei de Execuções Penais, não podem ser monitoradas. O Depen esclareceu que, por carta ou bilhete, a suposta ordem não foi enviada porque qualquer papel é descoberto no sistema de raio-X.

O departamento explicou ainda que a suposta ordem também não partiu de advogados. Segundo o órgão, as visitas desses profissionais podem ser monitoradas se houver autorização judicial. O R7 também procurou a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio e pasta informou que não se pronunciaria a respeito.

Na manhã da última sexta-feira (30), a Polícia Civil fez uma grande operação no morro do Borel, na Tijuca, zona norte, para desbaratar a quadrilha de um dos líderes dessa facção, Isaías do Borel. Investigações indicam que o criminoso, preso em Catanduvas (PR), continua ''mandando'' na favela.

Em entrevista ao R7, o prefeito Eduardo Paes disse ser totalmente favorável a transferência de presos para outros estados porque, desta forma, eles ficam longe de seus redutos.

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