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Trecho paulista da Régis tem alta de 33% no número de acidentes

Trecho paulista da Régis tem alta de 33% no número de acidentes

Atualizado: Terça-feira, 27 Julho de 2010 as 9:16

A Rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo a Curitiba, foi privatizada em 2008. Entretanto, apesar das melhorias feitas na via, o número de acidentes aumentou entre 2009 e 2010 nessa importante rodovia federal. No trecho paulista da estrada, 88 pessoas morreram de janeiro a junho, 33% a mais do que no primeiro semestre do ano passado.

No meio do caminho, o retrato do atraso. “Está péssimo, muito ruim, todo dia quase tem congestionamento aí, acidentes, muito ruim”, reclama o taxista Cilho Lemos de Pontes.

É pela Régis Bittencourt que trafega a riqueza entre as duas regiões mais desenvolvidas do país. Os 402 quilômetros da rodovia receberam melhorias no asfalto, nova sinalização, muretas de proteção e serviço de atendimento ao motorista. Mas os R$ 302 milhões investidos até agora não foram suficientes para acabar com a má fama da Régis.

Na madrugada deste domingo (25), um motorista de caminhão morreu depois de perder o controle do veículo. O caminhão destruiu o guard rail e despencou de uma altura de mais de 15 metros.

O família Muniz foi uma das que se envolveu em um acidente em um dos trechos mais perigosos – Serra do Cafezal, 30 quilômetros de pista simples e sinuosa. O carro todo destruído. Pai, mãe e filho tiveram ferimentos leves. “Nós vínhamos sentido Paraná, um rapaz de bicicleta bêbado atravessou a pista, eu fui desviar dele e acabei capotando o carro”, conta o advogado Obed Muniz Teodoro.

Na última quinta-feira (22), uma carreta desgovernada bateu em outros quatro veículos, que pegaram fogo e interditaram a estrada por oito horas. “A duplicação tem que sair, urgente”, pede o motorista Osvaldo Feitosa.

As obras já começaram. Enquanto não ficam prontas, o acostamento vira pista. A placa indica o telefone do serviço de emergência que poderia ajudar a salvar vidas. Mas justamente no trecho de serra, não é possível fazer a ligação, porque a região está fora da área de cobertura da maioria das operadoras.

Os moradores que vivem às margens da estrada têm outras queixas. “Precisávamos de uma passarela ou de uma lombada eletrônica, que os carros maneirassem um pouco, tem muito atropelamento”, pede a dona de casa Margareth de Morais.

As lombadas eletrônicas que existiam foram retiradas. “A lombada eletrônica não é uma solução, mas é um grande quebra galho. Se essa estrada tivesse mais lombadas eletrônicas, seria com certeza mais segura, mas com menor fluidez. Esse equilíbrio então é que é difícil”, diz o engenheiro de transporte Luiz Célio Bottura. Ele conta que em 1971 participou de um projeto de licitação para duplicar a Régis e lamenta que a obra ainda não tenha sido concluída.

A Polícia Rodoviária Federal informou, em nota, que tem feito fiscalizações rotineiras para tentar educar os motoristas a disse que o aumento da frota de veículos é um dos motivos que explicam o aumento dos acidentes.

A concessionária que administra a rodovia informou, também em nota, que ainda depende de licença ambiental para fazer a obra de duplicação na Serra do Cafezal.

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