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"Trio de ferro" de facção permanece foragido após ocupação do Alemão

"Trio de ferro" de facção permanece foragido após ocupação do Alemão

Atualizado: Segunda-feira, 29 Novembro de 2010 as 8:40

Apesar da ocupação do complexo de favelas do Alemão no domingo (28), na zona norte do Rio de Janeiro, os três principais chefes da maior facção criminosa do Rio de Janeiro permanecem foragidos. A polícia não revela o paradeiro de Alexander Mendes da Silva, o Polegar, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, e Fabiano Atanásio da Silva, o FB. O delegado Harold Spínola, diretor do Departamento de Polícia da Capital, diz que as investigações avançam.

- Já temos algumas informações, mas não podemos revelar.

Policiais ouvidos pelo R7 suspeitam que eles já possam ter deixado o complexo. Comenta-se que os três teriam deixado o Alemão antes da ocupação e que podem ter saído disfarçados. Outros bandidos da facção já lançaram mão dessa estratégia. O criminoso conhecido como Mica fugiu em meio a manifestantes que pediam paz na região. Já um outro, conhecido como Vitinho, se disfarçou de mata-mosquitos - agente que combate a dengue nas comunidades -, mas foi preso.

Especula-se também que os criminosos possam ter pedido abrigo ao traficante Nem, da favela da Rocinha, na zona sul. Outros agentes dizem que os bandidos podem ter ido para o complexo da Maré (zona norte), Antares, em Santa Cruz (zona oeste), ou, até mesmo, para alguma comunidade de Niterói, na região metropolitana do Rio.

Polegar comanda o tráfico no morro da Mangueira (zona norte). FB chefia a favela Vila Cruzeiro, na Penha, e Pezão é a principal liderança no complexo do Alemão.

FB é a maior incógnita. Desde o início da semana passada, a polícia recebeu informações de que ele teria sido baleado em uma das incursões policiais no Alemão e na Vila Cruzeiro, mas nada foi confirmado.

Traficantes graúdos foram presos neste domingo (28). O principal deles é o criminoso conhecido como Lambari, "dono" das bocas de fumo da favela do Jacarezinho (zona norte). O traficante Zeu, um dos condenados pela morte do jornalista Tim Lopes foi detido em casa após a polícia receber uma denúncia anônima. Eliseu Felício de Souza estava com a mulher e a filha dentro de casa, na localidade de Coqueiro.

Um agente afirma que, diante da grande apreensões de drogas e armas, a facção sofreu um enorme "rombo" e suspeita que os criminosos possam realizar assaltos para se recuperar dos prejuízos.

Além de FB, Pezão e Polegar, outros "figurões" também escaparam. Entre eles, Marcelo Leandro da Silva, o Marcelinho Niterói, que é o "representante" de Fernandinho Beira-Mar no Rio de Janeiro, e Leonardo Farinezo Pampuri, o Léo Barrão, da Vila Kennedy (zona oeste).

O Serviço de Inteligência da Polícia Militar informa que haveria ainda muitos bandidos escondidos no complexo do Alemão. Um policial civil, no entanto, diz acreditar que a maioria seja de pouca expressão e sem mandados de prisão.

Retomada

Após oito dias de seguidos confrontos entre traficantes e as Forças Armadas e polícias Civil e Militar, as autoridades conseguiram neste domingo alcançar o topo do morro e fincar a bandeira do Brasil na parte superior do teleférico em obras no alto da comunidade, em apenas uma hora. O ato simboliza a retomada do território do conjunto de favelas, até então sob domínio de facção criminosa.

A apreensão de armas e drogas feita neste domingo na comunidade já é a maior da história do Estado do Rio de Janeiro, segundo informou o relações públicas da Polícia Militar, coronel Henrique Lima Castro. A Secretaria de Segurança Pública informou que ao menos 40 toneladas de maconha e 50 fuzis já foram apreendidos. A ação conjunta prendeu pelo menos 34 suspeitos.

A incursão contou com o apoio de veículos blindados, helicópteros e contribuição da Marinha, Exército e Aeronáutica.

A operação no Complexo do Alemão faz parte da reação da polícia à onda de violência que tomou conta do Rio de Janeiro na última semana, quando dezenas de carros foram incendiadas em vários pontos do Rio de Janeiro e houve ataques a policiais.

A ação dos criminosos foi vista pelo governo estadual como uma resposta às UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) instaladas nos dois últimos anos em comunidades antes dominadas pelo tráfico. Para conter os ataques, a polícia, com apoio das Forças Armadas, realizou uma grande ofensiva na última quinta-feira (25) na Vila Cruzeiro, forçando a fuga de centenas de traficantes para o vizinho Complexo do Alemão, onde foram cercados nos dois dias seguintes.    

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