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Tumultos em frente a fórum marcam último dia de julgamento

Tumultos em frente a fórum marcam último dia de julgamento

Atualizado: Sexta-feira, 26 Março de 2010 as 12

"Eu sou a favor dele!". Aos berros e com frases como esta, o microempresário Marco de Souza, 58 anos, deixou claro nesta sexta-feira seu apoio a Alexandre Nardoni, acusado de matar a menina Isabella Nardoni em 2008. "Ninguém provou nada até agora e ninguém tem peito para falar isso que estou falando aqui. Eu sou a favor dele", gritava enquanto era cercado por manifestantes que tentavam agredí-lo em frente ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, onde Nardoni e Anna Carolina Jatobá enfrentam o júri popular.

A exemplo do pastor Adelilton, que uma hora antes pediu perdão ao casal de réus, Souza recebeu garrafadas, tapas e empurrões de uma multidão que, ao contrário dele, pede a condenação do casal. Houve até quem tentou "exorcizar" Souza, colocando um crucifixo em seu rosto. Quando ele começava a ser "linchado" pelos populares, a Polícia Militar interferiu e o levou para dentro do fórum. Mais calmo, o microempresário explicou seus motivos.

"Eu leio dois jornais por dia e não vi até agora uma prova contundente que justifique o que estão fazendo com este casal. Lembro daqueles professores da Escola Base, condenados por pedofilia e depois tiveram sua inocência provada. A vida deles acabou", explicou o microempresário, que acompanhava a ida de sua mulher ao fórum e resolveu expressar sua opinião aos demais.

Pouco depois do protesto a favor de Alexandre, uma mulher, vestida toda de branco, apareceu na calçada em frente ao fórum com uma grande sacola cheia de camisetas pedindo justiça a Isabella. Rapidamente, uma multidão se reuniu em volta dela para pegar uma. Houve confusão e empurra-empurra. Assustada, a mulher pegou a sacola de volta e foi embora. "Assim não dá, olha o que vocês fizeram comigo", disse ela, que preferiu não se identificar, mostrando os arranhões no corpo e a roupa suja.

Entre os curiosos que apareceram neste último dia de julgamento, uma família com três crianças e uma argentina chamaram a atenção. "Eles quiserem muito vir aqui ver isso tudo de perto", disse a comerciante Erica Toscano, 34 anos, com uma criança de colo e dois filhos pequenos ao lado.

O protesto internacional ficou por conta de Desiré Spin, 44 anos, que portava um cartaz com desenho da bandeira da Argentina pedindo justiça. "Hoje estou morando no Brasil, mas sei que muita gente no meu país gostaria que a justiça fosse feita", disse.

O caso

Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.

O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.

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