Um dia após inauguração, ponte estaiada não atrai motoristas em SP

Um dia após inauguração, ponte estaiada não atrai motoristas em SP

Atualizado: Quinta-feira, 28 Julho de 2011 as 3:37

Já inaugurada, a Ponte Governador Orestes Quércia quase não teve fluxo

 de veículos na manhã desta quinta (Foto: Juliana Cardilli/G1)

  A ponte estaiada Governador Orestes Quércia, inaugurada nesta quarta-feira (27) para fazer a ligação entre a Avenida do Estado e a pista sentido Rodovia Castello Branco da Marginal Tietê, começou a funcionar sem muito impacto no trânsito da região. Na manhã desta quinta (28), entre 8h e 9h, houve momentos em que a ponte ficou completamente vazia, sem a passagem de nenhum carro, enquanto as vias próximas tinham fluxo normal – em alguns casos, carregado.

A diferença de tempo no trajeto entre as vias ligadas pela ponte com e sem a nova estrutura também foi pequena. Na terça (26) e na quarta-feira, a equipe de reportagem do G1 foi do Mercado Municipal, na região central, ao Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte. Após a inauguração da ponte, a economia de tempo foi de apenas um minuto. É preciso considerar, porém, o período de férias escolares, com índices de lentidão abaixo da média na capital paulista.     Na inauguração, na manhã desta quarta-feira, o governador Geraldo Alckmin disse que a obra irá reduzir em 15 minutos o trajeto de quem sai do ABC e, por dia, deverá receber cerca de 20 mil veículos. Entretanto, muitos motoristas pareciam ainda não saber de sua abertura. As pontes mais próximas – das Bandeiras e Cruzeiro do Sul – tinham trânsito intenso, em alguns momentos parado. Mas na ponte estaiada, a paisagem era diferente: vazia, com veículos espaçados.

Para o motorista de caminhão Denis Gonçalves de Sá, de 29 anos, a ponte irá facilitar bastante seu trabalho. “Minha firma é na Avenida do Estado. Agora mesmo eu vou pegar a ponte para ir para Pirituba. Antes tinha que pegar a Ponte Cruzeiro do Sul e dar a volta. Vou poder cair direto na marginal, mas a economia de tempo depende do trânsito”, afirma.

As indicações aos motoristas sobre a ponte estaiada são poucas. Há placas orientando os condutores pouco antes de sua entrada, indicando que eles devem seguir pelo complexo viário se desejam ir na direção das rodovias Anhanguera e Castello Branco. Mas nas avenidas próximas, apenas a Tiradentes tinha uma faixa avisando os motoristas que eles podem usar a nova ponte para seguir para estas rodovias.

Faixa e placas indicam novo acesso (Foto: Juliana Cardilli/G1)

  Tempo de trajeto

Na terça (26), um dia antes de a ponte ser inaugurada, o G1 traçou um ‘caminho-teste’ para comparar os trajetos depois que a ponte fosse inaugurada, escolhendo dois pontos conhecidos dos moradores da cidade: o Mercado Municipal e o Sambódromo do Anhembi. A saída foi às 17h23 do Mercadão, localizado na Avenida do Estado, e o destino, o Anhembi, que beira a Marginal Tietê e cujo acesso pode ser feito agora com a nova ponte estaiada.

O percurso, em horário de pico, foi realizado em 22 minutos na terça-feira. Havia congestionamento apenas em alguns pontos da Avenida do Estado. A partir da alça que liga essa avenida à Marginal Tietê, o Anhembi estava distante apenas três minutos, sem tráfego lento. Às 17h45, o trajeto de 8 km estava finalizado.

No fim da tarde de quarta, duas horas depois de o tráfego ter sido liberado na estaiada, o mesmo trajeto foi testado. O ponto de partida foi novamente o Mercadão, às 17h23. Sem acessar a nova ponte, utilizando a Avenida Cruzeiro do Sul para pegar a Marginal Tietê, a equipe de reportagem chegou ao portão 20 do Anhembi, na Avenida OlavoFontoura, às 17h46, 23 minutos depois.

Um pouco mais tarde, optando por chegar ao Anhembi pela ponte, o mesmo percurso foi realizado, deixando o Mercado Municipal às 18h16. A distância medida foi a mesma - 8 km entre as avenidas do Estado e Olavo Fontoura. Até o portão 20, um dos acessos ao Sambódromo, o tempo foi de 21 minutos, com a chegada às 18h37. Em um horário de pico e mesmo com trânsito na Avenida do Estado a diferença entre os caminhos foi de apenas dois minutos (e de um minuto em relação ao dia anterior).

Entregas rápidas

Os funcionários do Mercadão comemoram a inauguração da ponte. Para o balconista Paulo Barroso da Silva, de 31 anos, que diz fazer de 5 a 15 e entregas de mercadorias por dia, a vida ficará mais fácil. “A ponte facilita bastante. Eu descia a Avenida Cruzeiro do Sul e atravessava a marginal para ir ao Anhembi. Agora, vou direto. Não perco tempo dando volta. A ponte vai aliviar muito a Cruzeiro do Sul, que é complicada.”

O vendedor Alceu Galdeano, responsável por uma banca de frutas no Mercado Municipal, tem na ponta da língua os bairros mais complicados para entregar as encomendas dos clientes: “Vila Guilherme, Santana (Zona Norte) e Morumbi (Zona Sul) dão uma canseira danada. A ponte ajuda muito.”

Ubaldo Nicolau da Silva, de 61 anos, também comemora. “Acho que vai adiantar para quem sai de São Caetano, São Bernardo (ambas no ABC) e Ipiranga (Zona Sul). Será uma mão na roda. Antes tinha que passar ali pelo Campo de Marte (em Santana) e pegar a ponte para a Marginal Tietê. Agora, cai direto”, afirma ele, que foi taxista por 30 anos. Segundo ele, bairros da Zona Norte, como Limão e Freguesia do Ó, terão o acesso melhorado com a estaiada.

Até as 14h desta quinta-feira, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não havia informado a expectativa de redução nos congestionamentos da região após a inauguração da ponte.            

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