Um mês após acidente, parentes de vítimas de pedreira em Santos dizem não ter mais esperanças

Um mês após acidente, parentes de vítimas de pedreira em Santos dizem não ter mais esperanças

Atualizado: Quinta-feira, 12 Maio de 2011 as 9:15

Há um mês, dois funcionários da Pedreira Santa Teresa, área continental de Santos, no litoral sul de São Paulo, foram soterrados durante um desmoronamento no local. Desde 12 de abril, as buscas ainda continuam, mas a cada dia que passa fica ainda mais difícil de encontrar pessoas com vida, segundo informou ao R7 o engenheiro da Defesa Civil de Santos Luis Marcos Albino.

- As equipes continuam diariamente no local. Já sabemos onde os dois podem estar, mas não conseguimos acessar [o local]. Os trabalhos na pedreira estão parados até que os encontremos. A busca precisa ser feita com muito cuidado para não ter outras vítimas. 

A mulher de uma das vítimas, Edna Nadan, 42 anos, casada com Juscelino Mendonça de Souza, de 45 anos, conta que não tem mais esperança de encontrá-lo vivo. 

- Já se passou muito tempo. Só por um milagre [eles estariam vivos]. Estou à base de calmantes ou senão não dá para aguentar [sic]. É muito sofrimento.

Mesmo sem acreditar na possibilidade de encontrar o marido vivo, Edna afirma que seu enteado tem acompanhado de perto os trabalhos de busca pelo pai. 

- Além dele, minha sogra também vai lá todos os dias. Eu fui apenas uma vez, mas não tenho mais coragem. É duro para mim e ainda tenho meu menino, de 9 anos, que chora e pergunta pelo pai. 

Segundo a madrasta de Souza, Maria Luzia dos Santos, de 74 anos, além dos dois filhos que moram em Santos, o funcionários da pedreira também tem outros quatro, que vivem em Tangará da Serra (MT). 

- Os meninos até foram para São Paulo para acompanhar de perto os resgates, logo que o acidente aconteceu, mas não puderam ficar mais por causa do trabalho. A situação é muito difícil. 

  O acidente 

O desmoronamento na Pedreira Santa Teresa aconteceu na manhã de 12 de abril quando uma pedra de cerca de mil toneladas caiu em um buraco de cerca de 50 m de profundidade. Dois funcionários que trabalhavam no local no momento do acidente foram soterrados. Desde então, foram removidas toneladas de pedras e feitas diversas implosões com o objetivo de encontrar as vítimas. 

As equipes chegaram a utilizar um aparelho chamado magnetômetro (usado para identificar a presença de metais no solo), que apontou uma área onde podem estar os veículos usados pelos trabalhadores, mas as esquipes de resgate ainda não chegaram nesse local. De acordo com a Defesa Civil, a demora em encontrar as vítimas ocorre por conta da dificuldade de se trabalhar no local. 

A equipe de buscas é formada, além de técnicos da Defesa Civil e da pedreira, também pelo Corpo de Bombeiros e por funcionários do IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológica).      

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