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'É uma perseguição eterna por melhorias', diz Beltrame sobre Alemão

'É uma perseguição eterna por melhorias', diz Beltrame sobre Alemão

Atualizado: Segunda-feira, 28 Novembro de 2011 as 3:56

Beltrame e autoridades visitaram o Alemão um ano

após ocupação (Foto: Thamine Leta/G1) Um ano após o estado recuperar o território da Vila Cruzeiro e do Conjunto de Favelas do Alemão, o secretário de estado de Segurança, José Mariano Beltrame afirmou que não pode garantir que novos ataques não acontecerão nas comunidades ocupadas pelo exército. Na quinta (24), um soldado foi atacado por criminosos .

“É impossível garantir que nada vai acontecer. Se nós olharmos há um ano, está muito melhor. É uma perseguição eterna por melhorias. Ainda tem muito o que fazer”, acredita Beltrame, que se reuniu com outros líderes durante um almoço na Força de Pacificação, no Alemão.

O comandante do Comando Militar do Leste, general Adriano Pereira Junior, afirmou que os responsáveis pelos ataques e incidentes nas comunidades são pessoas dependentes do tráfico de droga.

“Existem pessoas que são dependentes do tráfico de drogas. Tem um pessoal ligado ao tráfico, que tira renda disso e outros simpatizantes do tráfico. Tem toda uma cultura, e essas pessoas que proporcionam conflitos”, afirmou. O comandante solicitou que a população procure a ouvidoria do Exército para prestar queixas e denunciar qualquer tipo de irregularidade, para que as irregularidades possam ser combatidas. Segundo ele, a operação do exército no Alemão desde 2010 custou em torno de R$ 150 milhões.

A partir de março, segundo Beltrame, o Conjunto de Favelas do Alemão irá receber as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). O processo de pacificação deve terminar em junho.

Veículos queimados

A chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha afirmou que os veículos que foram queimados na Tijuca , na Zona Norte, no sábado (26) não são um tipo de represália contra a pacificação do Alemão.

“Tenho plena convicção que o episódio (dos carros incendiados) não tem nada a ver com um ano (de pacificação) do Alemão. Houve a intenção de colocar fogo nos carros e estamos colhendo imagens e testemunhas para as investigações”, disse.

Beltrame garantiu ainda que ações de possíveis represálias pela cidade não irão impedir as operações de pacificações em comunidades dominadas pelo tráfico. “Não serão essas ações que farão com que nós arredemos. Quando a gente faz uma ação alguém ganha e alguém perde”, disse.

Um ano de pacificação

Moradora diz que não tem mais medo de criar o

filho na comunidade (Foto: Thamine Leta/G1) Nascida e criada no Conjunto de Favelas do Alemão, no Rio, uma moradora de 28 anos viu seu irmão se envolver com tráfico de drogas na comunidade. Há um ano, no entanto, desde que a Força de Pacificação recuperou o território do domínio de criminosos, ela voltou a ter paixão pelo lugar.

“Mudou tudo por aqui, estou muito feliz. Meu irmão foi criado aqui e ficou do lado do tráfico. Agora ele está na Região dos Lagos e largou essa vida. Com a pacificação eu não tenho mais medo de criar meu filho aqui”, contou a moradora, que se identificou apenas como Vanessa. Ela cuida de um restaurante em uma das vielas da Estrada do Itararé.

Pacificação

O Conjunto de Favelas do Alemão foi ocupado em novembro do ano passado , numa megaoperação que devolveu à população uma imensa área antes dominada pelo tráfico e pela violência. A entrada das equipes na comunidade - cerca de 2.600 homens , entre policiais militares, civis e federais, além de homens das Forças Armadas - foi marcada por uma grande troca de tiros.

Em 12 dias de ocupação, policiais militares e civis prenderam 133 pessoas e apreenderam 440 veículos, segundo balanço da Secretaria de Segurança Pública do Rio.

As estatísticas apontam ainda que 36,6 toneladas de drogas foram apreendidas nas favelas. Os policiais também recolheram 548 armas e 59 explosivos. Os números foram contabilizados de 28 de novembro a 9 de dezembro de 2010.        

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