Umidade do ar chega perto dos 20% e SP entra em alerta

Umidade do ar chega perto dos 20% e SP entra em alerta

Atualizado: Quarta-feira, 25 Agosto de 2010 as 3:35

A Defesa Civil decretou estado de alerta às 12h30 desta quarta-feira (25) por causa da baixa umidade do ar na capital paulista, que está perto, ou abaixo, dos 20%. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a umidade estava em 15% no horário no Mirante de Santana, na Zona Norte de São Paulo. No Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul, o índice era de 20%. A previsão para os próximos dias é que o tempo continue seco.

Os baixos índices de umidade do ar registrados nos últimos dias têm colocado a capital paulista em constantes estados de atenção e alerta. São sete dias seguidos em que pelo menos um deles é decretado e o terceiro dia consecutivo com estado de alerta. O objetivo de deflagrar esses estados é alertar a população sobre os problemas causados pelo tempo seco e divulgar medidas preventivas para minimizar os danos à saúde.

Com o estado de alerta acionado, a Defesa Civil recomenda que a população evite atividades ao ar livre e exposição ao sol entre as 10h e 17h e não pratique exercícios entre as 11h e 15h. É preciso beber bastante líquido para evitar a desidratação. O tempo deve continuar quente e seco pelo menos até domingo em São Paulo .

Não chove em São Paulo desde o dia 15 de agosto, de acordo com o CGE. As últimas precipitações significativas - que chegaram a, pelo menos, 0,1 mm de chuva - foram registradas nos dias 3, 4 e 5 deste mês. Nos dias 14 e 15 ocorreram apenas garoas. Em todo o mês, choveu 0,6 mm, bem abaixo da média histórica, de 39 mm. Mas esse não é o agosto mais seco de todos os tempos porque, em 2007, não choveu nada nesse mesmo mês.

Monitoramento da umidade

O responsável pelo monitoramento da umidade é o CGE, ligado à Prefeitura de São Paulo. O órgão acompanha dados obtidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Mirante de Santana, na Zona Norte da capital, dos aeroportos e de estações próprias. “Nós acompanhamos durante todo o dia. Não deixamos chegar aos 30%. Antes disso já avisamos a Defesa Civil”, afirma o técnico em meteorologia do CGE Adílson Nazário.

Os dados no Mirante de Santana são obtidos por meio da estação automática do Inmet, que tem uma amostragem contínua da umidade. Para dados históricos, no entanto, o Inmet utiliza desde 1943 a estação convencional, no mesmo Mirante de Santana. Ela mede a umidade em três horários, todos os dias: 9h, 15h e 21h. Por isso, podem ocorrer diferenças dos índices de umidade mínimos divulgados pelo CGE e o oficial do Inmet. A Defesa Civil é responsável por decretar e avisar as subprefeituras e outros órgãos municipais sobre os estados. Essa sistemática acontece desde novembro de 2008, quando uma portaria do prefeito Gilberto Kassab estabeleceu o “Plano de contingência para situações de baixa umidade”. O objetivo é definir “estados de criticidade” e apresentar “os procedimentos básicos e recomendações a serem divulgados aos órgãos municipais e à municipalidade”.

Nazário explica que a umidade relativa do ar é o “quanto de água em forma de vapor existe na atmosfera”. Ela é inversamente proporcional à temperatura. Por isso, é geralmente no período da tarde, com as temperaturas mais altas, que a umidade atinge seu menor nível. As estações meteorológicas levam em consideração os sensores de temperatura para chegar ao índice.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera ideal a umidade acima de 60%. É considerado estado de atenção quando a umidade cai abaixo dos 30%. Caso fique entre 19% e 12%, é decretado o estado de alerta. Abaixo disso, é considerado estado de emergência. O menor índice já registrado em São Paulo foi 10%, em 14 de agosto do ano passado. Neste ano, a umidade chegou a 15% no dia 20 de agosto.

Recomendações para a saúde

A baixa umidade contribui para a concentração de poluentes, o que piora a qualidade ao ar. O tempo seco pode provocar: dores de cabeça e irritação nos olhos, nariz, garganta ou na pele; aumento dos riscos de transmissão de doenças respiratórias; aumento do risco de desidratação; garganta seca, voz rouca, inclusive com possibilidade de inflamação da faringe; rompimento de vasos do nariz, provocando sangramento e maior facilidade de se contrair conjuntivite viral, alérgica e síndrome do olho seco. O aumento de poluentes também pode causar aumento da pressão arterial e arritmia cardíaca. Por isso, infartos são mais suscetíveis.

A Defesa Civil pede para as pessoas não colocarem fogo em terreno baldios e vegetação seca porque, com a baixa umidade, ele pode se espalhar rapidamente.

Postado por: Thatiane de Souza

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