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Usuários do SUS têm reclamações no Paraná

Usuários do SUS têm reclamações no Paraná

Atualizado: Sexta-feira, 10 Dezembro de 2010 as 9:41

A Constituição Federal de 1988 garante: a saúde é direito de todos e dever do Estado. Na teoria o artigo 196 é de extrema importância, mas será que na prática é isso que acontece? Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em Curitiba afirmam que filas e demoras no agendamento de exames e cirurgias são frequentes. Muitos temem, inclusive, por dependerem do SUS como única forma de acesso à saúde.

Após fraturar um osso do braço em acidente de trânsito, Osvaldo de Freitas, 71 anos, ficou cinco dias internado pelo SUS no Hospital São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), à espera de vaga em outro estabelecimento para ser operado. Foi transferido para o Hospital do Trabalhador, em Curitiba, onde esperou mais 20 dias para fazer a cirurgia. Em duas ocasiões, passou o dia em jejum para realizar o procedimento, que foi adiado. "O atendimento por parte do hospital foi muito bom, mas esperar a peça que faltava para finalizar o meu tratamento foi extremamente difícil. Junto comigo no quarto vi muitas pessoas sofrendo também pela demora no atendimento", relata Osvaldo.   O usuário Vanderlei de Souza conta que esperou uma tarde inteira para poder fazer um Raio-X e ser atendido pelo médico. "Toda vez que preciso de um atendimento é essa demora. Como não tenho plano de saúde, tenho que depender do SUS, o que não é nada bom", diz. Clarisse do Rocio Schechtel fala que tem medo de depender do sistema público em um momento de emergência. "Tenho Diabetes e pressão alta. Não sei o que pode acontecer caso sofra uma crise. Tenho medo de depender do SUS", relata.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), o SUS é descentralizado em todo o Brasil. Ou seja, não há hierarquização e os gerentes locais (secretarias municipais e estaduais) são responsáveis por todo o atendimento. Em Curitiba, pelo município ter gestão plena do SUS, a responsabilidade por essa demora de atendimentos é da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

De acordo com Anna Paula Penteado, superintendente de gestão da SMS, "todos os hospitais que fazem atendimento pelo SUS na capital têm a prefeitura de Curitiba como gestora", diz. Sobre as filas e demoras no atendimento citadas pelos usuários, Penteado afirma que a razão é a sobrecarga no sistema. "Trinta e sete por cento das internações feitas mensalmente em Curitiba atendem pessoas de fora. Por sermos referência, recebemos uma grande pressão do interior, região metropolitana e litoral. Quando faltam atendimentos nesses locais, os pacientes procuram os hospitais de Curitiba", explica.

Questionada sobre a solução da demora verificada em Curitiba, a superintendente afirma que o caminho está no trabalho em conjunto. "Na saúde não existe solução mágica. Precisamos trabalhar em outros pontos para evoluir", diz. Uma das ações seria o trabalho intersetorial na área da violência. "A saúde tem papel importante, mas reduzir números de acidente de trânsito, violência urbana, homicídios e uso de drogas abaixaria também essa grande procura", aponta. A construção, por parte do Estado, de referências para a região atendendo pacientes no próprio município e a determinação de que tipo de pacientes são atendidos também seriam soluções segundo ela.    

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