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Vandalismo em lojas da Zona Sul de SP faz polícia suspeitar de gangue

Vandalismo em lojas da Zona Sul de SP faz polícia suspeitar de gangue

Atualizado: Terça-feira, 9 Novembro de 2010 as 1:43

Comerciantes da Avenida dos Bandeirantes, movimentada via da Zona Sul de São Paulo, têm tido prejuízo com a troca de vidraças quebradas em ações de vândalos. Eles dizem que nada é roubado após as ações. A última vítima foi o dono de uma loja de material de ginástica, atacada no dia 2. Um tapume cobre parte da vitrine danificada.

"Neste ano fui atacado três vezes. E se isso virar moda? E se estivesse passando alguém na hora?", questiona Charles Eduardo Cruz Santos, de 40 anos, sobre o vidro que caiu da vitrine do segundo andar. A família mora em cima da loja e a sacada atingida é a extensão do quarto da filha de Santos. "Eu tenho trauma de ficar ali", conta Rafaela Nicolete, de 15 anos. "Os policiais disseram que eles atiram bolinha de gude. Faz um furo, parece tiro", diz o homem, que calcula ter tido prejuízo até agora de R$ 2 mil .

De acordo com Santos, os ataques anteriores ocorreram em maio e em setembro. Na loja, há quatro câmeras e, dessa última vez, uma delas conseguiu captar o momento em que o vidro é estilhaçado, exatamente às 8h33 do dia 2 de novembro, em plena luz do dia. Nas imagens, é possível ver que, momentos antes do ataque, um táxi passa em frente à loja. No entanto, não é possível afirmar com 100% de certeza que ali estava o vândalo.

Não é o que a família acha. "É o mesmo cara, com certeza. Ou ele faz isso por diversão ou é do ramo de vidros. Na outra semana estouraram as lojas do lado", afirma Chandrews Santos, de 21 anos, filho do comerciante. A loja fica na altura do número 5.000 da avenida, no bairro Planalto Paulista. Segundo o rapaz, nas imagens dos ataques anteriores aparece o mesmo veículo. Como não há nitidez, é impossível identificar o número do taxi, que é de uma cooperativa.

Imitando a 'gangue do estilingue'

Na polícia, a suspeita é que as ações não partam de uma só pessoa. "Achamos que é a derivação da gangue do estilingue. Fazem isso por puro prazer de estragar o patrimônio alheio. Presumo que seja um pessoal jovem, que faça isso por diversão", diz o major Sérgio Watanabe, coordenador operacional do 12º Batalhão da PM, responsável pela área. Como "armas" ele cita bolinhas de gude, pedras atiradas por estilingues e até esferas de rolimã.

A chamada "gangue do estilingue" ficou conhecida pela forma de atuação dos criminosos, que quebravam com pedras e estiligues vitrines de lojas de Moema, bairro próximo da Avenida dos Bandeirantes, para furtar a mercadoria. Watanabe reclama da falta de informações sobre esses ataques recentes, que se intensificaram nos últimos dois meses.

"Como os comerciantes não são vítimas do furto qualificado (pelo rompimento das vidraças), não fazem boletim de ocorrência. O caso fica subnotificado e a gente não consegue mensurar a frequência, o horário que acontece", justifica o major. "A falta de credibilidade da polícia acarreta isso", completa.

Sem crédito

Foi justamente por não acreditar na polícia que Santos não foi à delegacia. Ele conta que, nos ataques anteriores, chamou a Polícia Militar, mas nada foi feito. "Cansei." Os funcionários de outras lojas da região têm a mesma opinião.

"Como não tem roubo, o pessoal não faz B.O.", conta Marcos Pacheco, gerente de uma loja de barcos na Avenida dos Bandeirantes. Ele calcula que, em 60 dias, "seis ou sete" vidros da fachada foram quebrados sem aparente motivo. "Não levam nada. A gente já sai até procurando as bolinhas de gude. É puro vandalismo", diz Pacheco, que guarda uma das bolinhas na gaveta de sua mesa.

De acordo com ele, quando um lojista é atacado, liga para os outros da rua para saber se também foram alvo do crime. "Temos um tapume pronto dentro da loja. Não precisa nem avisar o vidraceiro que ele já sabe a medida (da vitrine)", comenta o gerente. A ação dos vândalos ocorre, normalmente, à noite, com o comércio fechado.

Mais proteção

Em frente à loja de Charles Santos, o vendedor Thiago Urbano diz que o prejuízo é de R$ 890 com cada vidro recolocado. "Aqui, o ataque foi há dois meses, à noite. Chegamos para trabalhar no dia seguinte e estava tudo quebrado. Consertamos. Dois dias depois, quebraram de novo", relata Urbano, que vende móveis para escritório.

O major Watanabe diz que o policiamento na Avenida dos Bandeirantes "já existe", independentemente da ação dos vândalos.

Na dúvida, os comerciantes pensam em se proteger mais. Santos quer colocar câmeras de melhor qualidade para identificar os criminosos e grades de aço para proteger a vitrine; Urbano, também.

Para o vidraceiro que fica ao lado da loja de Santos, o ataque na Bandeirantes não é surpresa. "É sempre um tirozinho. Sempre da mesma maneira. Faz um furo e estoura o vidro inteiro", afirma o comerciante, há 40 anos no ramo. Com tantos vizinhos atacados, ele tem encomendas de sobra. "Já troquei uns dez vidros em quatro meses."

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