Veja principais pontos da entrevista de Lula a jornalistas estrangeiros

Veja principais pontos da entrevista de Lula a jornalistas estrangeiros

Atualizado: Segunda-feira, 6 Dezembro de 2010 as 10:30

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista coletiva nesta sexta-feira (3) aos correspondentes estrangeiros no país.

Lula falou sobre seus planos para quando deixar o governo, citou conquistas e decepções, afirmou que a carga tributária é  'justa' e disse que o vazamento de documentos da embaixada dos Estados Unidos no Brasil pelo site WikiLeaks "machuca a nobreza da diplomacia mundial".

Veja abaixo os principais trechos:

Rotina após deixar o cargo

"Teve um companheiro que falou: “Presidente, embora o senhor não seja presidente, em fevereiro vai inaugurar tal obra, o senhor não quer vir?”. Eu não posso ir. Querer, eu quero, mas eu não posso. Então, por isso que eu utilizei a palavra “desencarnar”. Eu quero me livrar do mandato presidencial para poder voltar a ser o Lula que eu era antes de ser presidente da República."

Conquista no governo

"Provar que é possível fazer as coisas neste país e provar que a inteligência não está ligada à quantidade de anos de escolaridade. São duas coisas distintas, são duas coisas distintas. Provar que não tem como você aprender a governar num banco de escola, não tem como. Ninguém ensina alguém a ser presidente da República, ninguém ensina alguém a ser governador ou prefeito. Essa coisa é da relação da gente com a sociedade, é da definição de compromisso que você tem, da definição do lado que você está, da definição para quem você quer governar. Então, eu estou muito feliz porque consegui provar que os brasileiros, e qualquer um deles, pode fazer o que eu fiz neste país. Então, esse é o grande legado."

Decepção no governo

"É de não ter podido aprimorar vários marcos regulatórios, sobretudo para facilitar a vida de quem governa."

Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs)

"Nós precisamos fazer uma avaliação de custo benefício, ou seja, quanto custa você investir para acabar com a violência, pacificar e fazer a comunidade viver em paz, ou quanto custa você não fazer nada porque custa caro, e deixar a criminalidade tomar conta de uma cidade como o Rio de Janeiro. [...] O sucesso das UPPs, no Rio de Janeiro, pode ser nacionalizado. Vai custar caro? Vai, mas eu estou convencido de que é mais barato do que deixar traficantes envolvendo crianças, adolescentes – e matando crianças e matando adolescentes – e tirando a tranquilidade das pessoas. Portanto, se for necessário, a presidenta vai arrumar dinheiro para fazer o que precisa ser feito."

Cesare Battisti

"Eu não gostaria de deixar esse assunto para a companheira Dilma tomar a decisão em janeiro ou fevereiro. Eu preferia eu tomar a decisão. Agora eu estou só aguardando o parecer do meu advogado-geral, aí, eu tomarei a decisão. Aliás, eu já tenho a decisão na minha cabeça, eu só não posso antecipar, porque um presidente só se pronuncia com base nos laudos e nos autos do processo."

Carga tributária

"Certamente, nos Estados Unidos, o imposto de renda deve ser mais do que no Brasil. Certamente, na Europa, o imposto de renda é muito mais do que no Brasil. Mas o Estado arrecada e oferece benefícios. Aqui na América Latina, tem estado que tem uma carga tributária de 9%. Um Estado que só arrecada 9% não é Estado, ele não pode nada. Ele não pode investir na educação, não pode investir em infraestrutura, não pode investir em absolutamente nada. Ele não existe. Então, a carga tributária do Brasil, ela é justa e permite que o Brasil alcance... E ela diminuiu, ela era mais alta do que ela é hoje. E nós vamos diminuindo na medida em que a gente vai aumentando a base da pirâmide de contribuintes."

WikiLeaks

"Eu acho que quem deve estar muito preocupado com esse vazamento é o presidente Obama e acho que isso é uma lição para, daqui para frente, os embaixadores passarem telegramas com mais responsabilidade. A gente não pode chegar ao final do dia, para prestar contas ao chefe, a gente ficar escrevendo qualquer coisa e mandando para o chefe. Eu fui vítima disso quando eu era dirigente sindical. Quando eu fui pegar a minha ficha no Dops, a quantidade de bobagens que tinha naquele arquivo, a quantidade de mentiras era uma coisa absurda. Então, eu acho que isso machuca um pouco a nobreza da diplomacia mundial e o comportamento da diplomacia americana. Acho isso gravíssimo, essas coisas do jeito que estão saindo."

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