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Vesgo do Pânico: antes, ninguém olhava pra mim, mas agora...

Vesgo do Pânico: antes, ninguém olhava pra mim, mas agora...

Atualizado: Terça-feira, 30 Novembro de 2010 as 10:27

Com “29 mais um ano”, como brinca sobre sua idade, Rodrigo Scarpa dedicou boa parte de sua vida ao “Pânico”. Primeiro, sua dedicação era de ouvinte. Ligava com frequência para o programa humorístico da rádio Jovem Pan e passou a ser conhecido pelos apresentadores da atração por aproveitar seu tempo no ar para contar piadas.   Depois de passar como estagiário de promoção e produção da mesma emissora, tomou outros rumos profissionais. Mas já tinha deixado sua marca na história do programa e, quando o “Pânico” foi para TV, na Rede TV!, Emílio Surita , comandante da trupe, resolveu levar para o canal aquele ouvinte insistente e bem-humorado.

Assim começou a história de Vesgo na televisão brasileira. Em sete anos de programa, já fez dezenas de matérias de rua. Nelas, nem tudo sai como o esperado. Rodrigo – ou Vesgo – já enfrentou adversidades como prender a cabeça em uma grade, ser atingido por uma cancela na orelha e até ser agredido por entrevistados. Mas o radialista superou tudo isso, sempre com muito humor e o pé no chão. “Estou feliz onde estou, cercado de grandes profissionais que são os grandes responsáveis pelo sucesso do “Pânico”, e pretendo continuar com o grupo. Sou feliz e realizado”, conclui Rodrigo em sua entrevista ao iG/Babado.

Namorado de Gabriela Gomes Baptista desde fevereiro de 2009, ele garante que a amada não tem ciúme de todo o assédio que recebe, em especial, da ala feminina. “Ela encara numa boa e até ajuda as fãs tirando foto pra elas”, conta.

iG/Babado: Você está no "Pânico" há sete anos. Que lições levou durante esse período, seja com a equipe, seja com as polêmicas que se envolveu, com os entrevistados?

Rodrigo Scarpa: Quando comecei, era um menino de 22 anos que não media consequências em alguns quadros mais ousados. Hoje já sabemos o que o telespectador espera da gente e de que forma interagir com nossos entrevistados para que eles se sintam bem e divirtam-se com a gente. Hoje o programa é mais profissional, crescemos na edição, na criação. Nas reuniões, estudamos juntos a nossa audiência, o que precisa mudar e, constantemente, pensamos em renovação de ideias. A lição que levo nesses sete anos é que a gente nunca pode se acomodar.

iG/Babado: O que mudou na sua vida desde que se tornou conhecido como o "Vesgo" do "Pânico"?

Rodrigo Scarpa: Antes, ninguém olhava pra mim. Hoje, a fila de interesseiros aumentou. O número de parentes que nunca vi, também. Graças a Deus, tenho conquistado todos os meus sonhos materiais e profissionais. De espírito, sou o mesmo cara que veio de Minas pra cá. Não perdi minha essência, não abandonei meus amigos, amo minha família.

iG/Babado: Quando cursou Rádio e TV, já estava focado no sucesso frente às câmeras?

Rodrigo Scarpa: No colégio sempre dizia aos professores que meu sonho era trabalhar em um programa de humor na TV. Antes mesmo de entrar na faculdade, meu foco era esse. Não queria ficar famoso, apenas trabalhar em algo que me fosse prazeroso e, ao mesmo tempo, me trouxesse retorno financeiro. Desde quando era ouvinte do “Pânico” no rádio, em 1994, minha meta era essa: trabalhar em algo prazeroso e ainda ser remunerado pra isso. Não queria apenas entrar pra TV sem entender o que estava fazendo, por isso passei pela faculdade e por experiências anteriores, como editor, roteirista e produtor. A faculdade até hoje me dá base para entender alguns truques da TV.

  iG/Babado: Como você lida com o sucesso?

Rodrigo Scarpa: O sucesso vem antes do trabalho no dicionário, mas na prática é o contrário. Procuro focar no que faço, pois o sucesso é apenas consequência.

iG/Babado: E com o assédio das fãs?

Rodrigo Scarpa: Encaro normalmente. Sei que, quando sair, vou ter que tirar foto e dar autógrafo. É a maior resposta positiva que alguém que trabalha na TV pode ter.

iG/Babado: Você já foi apontado como o galã do “Pânico”. Já conseguiu alguma entrevista por isso?

Rodrigo Scarpa: Só se for pra posar na G Magazine. Galã? Sério? Eu sou vesgo e vocês que são cegas. (risos)

iG/Babado: Quando faz reportagens, costuma ir com o Wellington Muniz, que faz o Sílvio. Qual o lado bom e o ruim de trabalhar em parceria com ele?

Rodrigo Scarpa: Hoje faço parceria com quase todos do “Pânico”. Gravo praia com o Bola, festas com Daniel (Tucano Huck), Copa do Mundo na África com o Alfinete e, durante seis anos, trabalhei mais com o Ceará. Todos têm suas qualidades. O Ceará é um grande humorista, além de um grande amigo.

iG/Babado: Tem medo de perder espaço para a nova safra de humoristas-repórteres?

Rodrigo Scarpa: Depois de 2003, quando eu e Ceará começamos a fazer festas, foram surgindo outros programas. Tem espaço pra todo mundo. De certa forma, eles até nos impulsionam a pensarmos em constante renovação.

iG/Babado: Qual foi a melhor matéria?

Rodrigo Scarpa: Gosto muito das matérias internacionais que fiz. Desde a Corrida do Queijo na Inglaterra, passando pela Espanha na Guerra de Tomates, desembarcando em Cancun no Spring Break e voando para a África do Sul na Copa do Mundo 2010.

iG/Babado: Qual o entrevistado mais "casca-grossa"?

Rodrigo Scarpa: Netinho de Paula. Mesmo perdendo o processo por agressão que movi, ele ainda dá entrevistas como se estivesse certo. Na última entrevista que fiz com ele, pedi pra que nunca mais cometa agressões em mais ninguém, principalmente mulheres. Ele prometeu que sim. Espero que cumpra.

iG/Babado: Te incomoda se fantasiar para fazer algumas das entrevistas?

Rodrigo Scarpa: Claro que não. Inclusive me deixa mais à vontade para fazer humor.

iG/Babado: Considera-se no auge de sua carreira agora que está focado nas entrevistas e matérias internacionais?

Rodrigo Scarpa: Já fiz de tudo no “Pânico”. Matérias políticas, coberturas de eventos, praia, festas, matérias arriscadas, internacionais... Nosso desafio é sempre se cobrar para inventar bordões, ideias e quadros novos. Nossa cabeça não pode parar. Cada semana é um recomeço. A TV é muito dinâmica e não permite ficarmos parados.

iG/Babado: Até onde quer chegar profissionalmente?

Rodrigo Scarpa: Todos que trabalham em TV pensam em ir pra Globo, mas minha visão é diferente. Quero estar bem financeiramente e ter liberdade para trabalhar. A Rede TV! me proporciona as duas coisas. Estou feliz onde estou, estou cercado de grandes profissionais, que são os grandes responsáveis pelo sucesso do “Pânico”, e pretendo continuar com o grupo. Sou feliz e realizado.

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