MENU

'Vi meu tio morrendo', diz sobrinha de vítima de acidente em Minas

'Vi meu tio morrendo', diz sobrinha de vítima de acidente em Minas

Atualizado: Segunda-feira, 28 Fevereiro de 2011 as 3:41

O Carnaband, carnaval fora de época realizado no domingo (27) em Bandeira do Sul, a 440 km de Belo Horizonte, era um momento especial para a costureira Fernanda Stefani Gonçalves, de 19 anos. A jovem foi eleita musa de um dos blocos do município e, por conta disso, estava em cima de um trio elétrico. Um acidente, porém, mudou tudo isso.     No fim da tarde, um fio de alta tensão se partiu e caiu sobre os foliões. Ao todo, 15 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, segundo dados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Um dos eletrocutados foi Admir Ramos do Lago, de 36 anos, tio de Fernanda. “Eu vi meu tio morrendo”, disse à reportagem do G1 .     Admir e outras seis vítimas eram veladas na tarde desta segunda-feira (28) no ginásio municipal da cidade. O enterro delas deve ocorrer ainda nesta tarde, no cemitério de Bandeira do Sul. Durante a manhã, uma outra vítima foi velada no ginásio e, em seguida, o corpo foi levado para o município de Campestre, também no Sul de Minas.

A jovem afirmou ter visto de cima do trio cenas dignas de filme de terror. “Primeiro teve um estrondo. Depois, várias faíscas. Foi uma correria. Vi gente caindo pelo choque. Muitas pessoas sangravam”, relatou. A última lembrança do tio vivo foi de um ato de coragem. “Ele tentou salvar a Paola [Fred Marcolino, de 17 anos] e o Wesley [Paulo Ferreira, de 16 anos]. Mas quando foi encostar neles, levou a descarga.” O casal de adolescentes também não resistiu.

Apesar de estar próxima do fio solto, ela nada sentiu. “Quem estava lá em cima do trio, como eu, não se machucou muito”, disse. Por causa do acidente, o fornecimento de eletricidade foi interrompido durante algumas horas.     Passado o desespero inicial, a população pôde voltar ao centro e verificar o que havia ocorrido. “Tinha tênis, roupas e muito sangue no chão”, disse Fernanda.

Segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), uma serpentina metalizada jogada em um cabo de energia pode ter causado a tragédia. O prefeito da cidade, José dos Santos, afirmou, no entanto, que ainda é cedo para apontar o que causou o rompimento do fio. “Só a perícia irá dizer isso.” Santos, que é primo de Admir, decretou luto de três dias por causa das mortes.

Segundo o delegado titular de Bandeira do Sul, Ademir Luís Corrêa, foi pedida agilidade para a conclusão do laudo pericial, que deve ficar pronto em dez dias.

Filho não ia a festas

Também desolado estava Waldemar Cândido da Silva, de 47 anos. Pai de Karistone Felipe da Silva, de 13 anos, uma das vítimas que eram veladas no ginásio municipal, ele afirmou que seu filho não era de sair muito. “Ontem ele quis ir à festa e saiu de tarde. Ele falou que voltaria rápido para casa”, disse.

No início da noite, um amigo de Karistone entrou correndo na casa de Waldemar para informá-lo sobre o acidente. “Corri para o hospital. Quando cheguei, me disseram que quem já tinha morrido estava no corredor, com um cobertor em cima. Eu reconheci o meu filho quando vi os tênis dele para fora da coberta”, afirmou.

Bandeira do Sul tem 5.340 habitantes, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A economia gira em torno da agropecuária, principalmente produção de tomate e arroz, de acordo com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

veja também