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Vistoria em área onde casas desabaram continuam nesta Quinta em SP

Vistoria em área onde casas desabaram continuam nesta Quinta em SP

Atualizado: Quinta-feira, 9 Dezembro de 2010 as 9:19

A Defesa Civil de São Paulo continuará trabalhando na vistoria de área de risco no Jardim Maringá (zona leste) nesta quinta-feira (9), para avaliar se outros imóveis, além dos 45 já interditados na quarta-feira (8), correm risco de desabar. Cerca de dez casas ficaram totalmente destruídas e outras dez foram parcialmente atingidas após deslizamentos de terra no local.O número de casas interditadas pode chegar a cem, de acordo com o coronel Jair Paca de Lima, coordenador da Defesa Civil Estadual. Contudo, a expectativa é de que os imóveis que não apresentam risco de cair voltem a ser ocupados depois de trabalho de recuperação da área a ser feito pela Prefeitura de São Paulo. Estudos ainda devem ser realizados para definir as obras.

O último balanço do órgão estadual, divulgado na quarta-feira, contabilizava 80 pessoas desabrigadas por causa do incidente. Ninguém ficou ferido. A prefeitura informou que a área foi isolada antes da tragédia.

Assistentes sociais estiveram, na noite de quarta-feira, na área ocupada irregularmente, e que pertence à administração municipal, para cadastrar em programas sociais as famílias que não têm para onde ir.

O secretário da Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, também esteve no local do desabamento, na rua Fernandes Portalegre, e afirmou que será feita uma reunião com a comunidade para decidir as novas ações, nesta quinta-feira.

De acordo com o subprefeito da Penha, Cássio Loschiavo, as casas que correm risco de desabar serão demolidas. O número de imóveis que podem ser destruídos ainda não foi divulgado pela pasta.

Causas

A ocupação de um terreno de encosta, as construções irregulares e o solo encharcado são os fatores que contribuíram para o desabamento, segundo o coordenador geral da Defesa Civil e o subprefeito da Penha.

Loschiavo afirmou que “o terreno [na rua Fernandes Portalegre] foi invadido e deveria ser uma área verde preservada”. Para ele, o desabamento foi provocado “pelo solo encharcado e a ocupação irregular do terreno”. Contudo, o subprefeito pontuou que ainda não é possível confirmar se o excesso de água na terra é resultado das chuvas dos últimos dias ou de problemas na rede de saneamento e esgoto do local.

- Não sabemos se tem fossa e se ela foi bem feita.

Já o coordenador da Defesa Civil diz acreditar que as chuvas dos últimos dias foram determinantes para o incidente. Ele revelou que a prefeitura "já havia sido notificada que a área era considerada de risco pelos técnicos da coordenação da Defesa Civil da região”.

Ronaldo Camargo diz que as famílias que tiveram casas afetadas pelo desmoronamento já haviam sido notificadas de que viviam em área de risco.

Grito, choro e desespero

Na quarta-feira, os primeiros sinais de desabamento apareceram por volta das 10h. O órgão municipal foi chamado por moradores, que perceberam rachaduras evidentes nos imóveis. As famílias foram então orientadas a sair de suas casas.

A moradora Patrícia Lima Rodrigues relata que só que conseguiu pegar algumas peças de roupa para ela e para a filha, de três anos, antes que a casa da família fosse interditada pela Defesa Civil. Ela também conta que sabia do risco que corria morando na área e que, por isso, tentou avisar várias vezes a prefeitura sobre a possibilidade de os imóveis desabarem.

- Eu sabia que as pessoas estavam construindo suas casas de qualquer maneira. Depois desse desabamento, meus pais, minha filha e eu não temos para onde ir.

O empresário Ilton Antunes de Oliveira, que trabalha perto do local onde as casas vieram ao chão, contou que alguns moradores chegaram a passar mal e a desmaiar enquanto fugiam de suas residências.

– Gritos, choro, desespero... Muita gente passando mal, desmaiando... Afinal de contas, é muito forte você não poder entrar na sua casa para tirar seus pertences.

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