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Vítimas dizem que ouviram 3 estalos antes de acidente no Playcenter

Vítimas dizem que ouviram 3 estalos antes de acidente no Playcenter

Atualizado: Terça-feira, 5 Abril de 2011 as 4:06

Duas vítimas e três testemunhas do acidente com o Double Shock, do Playcenter, compareceram na tarde desta terça-feira (5) ao 23º DP, em Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo, para prestar depoimento no inquérito que investiga o caso. De acordo com relatos das vítimas, houve ao menos três estalos enquanto o brinquedo estava em operação. Em seguida, as travas do lado direito de uma das pás do brinquedo, com capacidade para oito pessoas, se abriram, dando início às quedas. Além disso, eles disseram que o brinquedo ganhou velocidade, após estes mesmos estalos.

As duas vítimas são Alassy Nery Barbosa, de 19 anos, e Émerson Rodrigues dos Santos, de 21 anos. O primeiro apresentava escoriações nas pernas, na cabeça e no queixo. O segundo, depois de passar por avaliação médica no Hospital Metropolitano, na Lapa, sofreu uma lesão sem maior gravidade no pulmão. Além deles, foram à delegacia Miriam e Aline Rodrigues, de 40 e 16 anos, mãe e irmã, respectivamente de Émerson, e um amigo das vítimas, Cassiano B. Alves, que também estava no brinquedo, mas do lado esquerdo, onde a trava não abriu.

O acidente ocorreu às 17h40 deste domingo (2). "Houve três estalos. Quando teve os estalos e aumentou a velocidade, eu pensei que era o brinquedo que iria voar. Era mais velocidade, mais velocidade depois que a trava abriu", afirmou Alassy, que retornou ao parque depois de 11 anos.

Ao lado deles no brinquedo, Cassiano viu quando as travas abriram e os amigos caíram. "Do lado direito que abriu totalmente. Do meu lado não abriu. Eu pensei que eles iriam morrer", relatou. Segundo ele, o brinquedo continuou em operação mesmo depois das quedas. "E depois que parou, demorou muito para abrir as travas. Todo mundo gritando, passando mal e ninguém conseguia sair do aparelho", declarou Cassiano.

Émerson, por sua vez, lembra apenas que a queda dele ocorreu quando o brinquedo estava subindo. "Na hora que subiu que eu caí, fui jogado. Acho que foi de uma altura de uns nove, dez metros", disse.

Após sofrer a queda, Alassy disse que caminhou sozinho até o ambulatório, onde havia apenas uma médica para fazer os atendimentos. "Eu me levantei meio atordoado e fui sozinho até o ambulatório. Lá, havia uma médica, que não sabia muito bem o que fazer", contou.

Miriam Rodrigues, ajudante de cozinha, de 40 anos, aguardava com a filha Aline a vez delas de irem no brinquedo. Elas assistiram de perto ao drama do filho e dos amigos. "Eu estava na fila aguardando a vez. Eu percebi que havia algum problema quando vi o tênis dele (Emerson) voando. Daí uma mulher começou a gritar. Começou um pânico total, com o pessoal correndo da fila e as pessoas caindo, entrei em desespero", relatou Miriam.

Para ela, o parque colocou em risco a vida de todos em risco. "O que mais me deixou indignada foi saber que o brinquedo havia sofrido uma pane três horas antes e não foi interditado. Colocaram as nossas vidas em risco", afirmou. Todos os cinco informaram que depois da fatídica experiência não mais retornarão ao parque de diversões.

Internadas

Outras três vítimas do acidente ocorrido no Playcenter, que estão no Hospital Metropolitano, também na Zona Oeste, continuavam internadas na tarde desta terça-feira. Elas estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, segundo o hospital, o estado de saúde delas é estável. No acidente com o brinquedo Double Shock, oito pessoas se feriram.

A adolescente Adriana Pereira Barros, de 12 anos, que teve lesões na região do abdômen, passou por uma cirurgia para a retirada do baço. Ela está consciente e passa bem.     Susana Martins de Souza, de 20 anos, deu entrada com ferimentos no braço esquerdo e está se recuperando de uma operação realizada nesta segunda-feira para correção das lesões no membro.

Daniele Aparecida Pansarin, de 30 anos, continua em observação, em razão dos ferimentos na cabeça e na perna esquerda.

De acordo com o boletim do Hospital Metropolitano, ainda não há previsão de alta para os pacientes do acidente no Playcenter.

Laudo

A perícia do Núcleo de Engenharia do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnico Científica de São Paulo informou nesta terça que está próxima de saber o que causou o acidente com o Double Shock. As travas de segurança do aparelho se soltaram, aparentemente sozinhas, e derrubaram seis usuários que estavam no banco. Duas conseguiram se segurar e tiveram escoriações.

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