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Vizinhos de idosa mantida presa em porão dizem que ela era bem tratada

Vizinhos de idosa mantida presa em porão dizem que ela era bem tratada

Atualizado: Quinta-feira, 27 Janeiro de 2011 as 4:01

Vizinhos da idosa mantida em cárcere privado pelo ex-marido no porão de casa, na Vila Santana, bairro de classe média de Sorocaba, a 92 km de São Paulo, afirmam que sabiam que a mulher morava no local e dizem que ela era bem tratada. O G1 visitou o bairro na manhã desta quinta-feira (27) e conversou com moradores. A mulher foi libertada nesta quarta-feira. Nesta quinta, ela fez exame de corpo de delito. Mas ainda não prestou depoimento.

“A gente sabia que atual mulher dele cuidava da ex. Sabia que a ex dele era doente. A mulher atual cuidava dela, dava comida, dava banho. Mas só à noite que ela limpava o lugar, porque se limpasse antes logo já ficava tudo sujo de novo”, conta a estudante Mariana Antunes Trevisan, de 21 anos, que mora em frente ao local.         Os vizinhos afirmam que ela não sofria maus-tratos. “Eles não fizeram por mal. Eles cuidavam. A atual mulher dele me disse uma vez que a idosa tirava a própria roupa e tinha que ficar presa para não fugir”, conta a dona de casa Rosana Aparecida Simões, de 45 anos, que mora na casa ao fundo do imóvel em que a idosa ficava. Em depoimento à delegada Ana Luísa Job Salomone, da Delegacia da Mulher de Sorocaba, que fez o flagrante, o ex-marido disse que a idosa já havia fugido duas vezes, sendo a última há cerca de dez anos.

Segundo a a vizinha Rosana Simões, a idosa passou a morar com o ex-marido depois da morte de um dos filhos, há cerca de seis anos. “Eu tenho dó deles, porque ninguém ajuda. Eu acho que eles não deveriam ser presos. São pessoas boas. Nunca tiveram problemas com ninguém da vizinhança”, conta.

A filha do casal preso, que morava na casa onde a idosa era mantida no porão, estava no local no momento em que a reportagem passava pela rua, mas não quis falar sobre o caso.

Condições subumanas

A delegada Jaqueline Barcelos Coutinho, da DDM de Sorocaba, que esteve no local no momento da libertação da idosa, disse ao G1 nesta quinta-feira que as condições em que a mulher vivia eram subumanas. "O cômodo onde ela estava não tinha condições de higiene. Havia paredes com bolor, água pelo chão, baratas, caramujos, janelas emperradas, e não entrava sol. A comida era passada para ela através da grade que dava acesso ao local. Ela não tinha nenhuma condição de defesa", afirmou.     O homem foi preso nesta quarta, suspeito de cárcere privado. Ele se casou com a vítima há mais de 40 anos, mas vivia na casa com outra mulher. A companheira dele também foi presa como cúmplice. A idosa foi libertada pela Polícia Civil depois de uma denúncia anônima. De acordo com a delegada da DDM de Sorocaba, o aposentado disse que mantinha a mulher presa porque ela era agressiva e tinha problemas mentais. No entanto, ele deu várias versões sobre o tempo em que a vítima estava presa no porão. Primeiramente, disse que ela era mantida no local desde 1985. Depois, mudou a versão para 1995. Por último, afirmou que ela se encontrava presa desde 2003.

A mulher foi encontrada sobre uma cama de concreto, praticamente sem roupas, enrolada em um cobertor. A falta de higiene causava mau cheiro. No local, um cubículo úmido e sem ventilação, não havia luz elétrica. O aposentado disse que a privava da energia porque ela mantinha as luzes acesas, aumentando o valor da conta.   O suspeito foi levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) e sua companheira, para a cadeia feminina de Votorantim, a 105 km de São Paulo. Segundo a delegada, o advogado do suspeito informou que vai entrar com pedido de liberdade provisória para que seu cliente responda pelo crime em liberdade.

De acordo com a Delegacia da Mulher da cidade, a vítima foi encaminhada para o Hospital Regional de Sorocaba, medicada e liberada. Ela foi levada para a casa de um dos filhos, que mora na cidade de Alumínio, também no interior de São Paulo.

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