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Vizinhos e parentes de crianças trancadas em casa serão ouvidos

Vizinhos e parentes de crianças trancadas em casa serão ouvidos

Atualizado: Terça-feira, 6 Setembro de 2011 as 12:54

Vizinhos, parentes e até professores das crianças que foram encaminhadas para um abrigo nesta segunda-feira (5) após serem deixadas trancadas em casa pela mãe em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, serão ouvidos por conselheiros tutelares e técnicos da Vara da Infância da cidade para determinar se elas poderão voltar para os pais. O objetivo é saber como era a convivência das crianças em família e verificar se o pai e a mãe têm condições de criá-las corretamente.

Um bebê de 5 meses e dois meninos de 2 e 12 anos foram levados para um abrigo por determinação do juiz Gabriel de Campos Sormani, da 3ª Vara da Infância e da Juventude. Segundo o juiz, trata-se de uma medida para proteger as crianças. Elas podem ficar no abrigo até que um parente com condições de ficar com elas seja encontrado, ou até que os técnicos e conselheiros apurem que os pais possam ficar com elas. O resultado do exame de corpo de delito, feito no Instituto Médico-Legal nesta segunda, também será analisado.     As crianças foram encontradas pela Polícia Militar depois que o filho mais velho, de 12 anos, ligou para o 190 dizendo que estava trancado em casa com os irmãos, sem comida, e que a mãe o agredia. Policiais foram até o local, arrombaram o portão e a porta e soltaram as crianças. Inicialmente, a PM informou que elas tinham sinais de maus-tratos.

Nesta segunda, Helena Alves Ferreira, seu marido e as crianças foram ouvidos no Conselho Tutelar de Itapecerica da Serra, no 1º Distrito Policial e no Fórum da cidade. Segundo o Conselho Tutelar e a Polícia Civil, de acordo com os primeiros depoimentos não era possível afirmar que as crianças eram agredidas. Helena admite que deixou as crianças sozinhas e que chegou a bater no filho mais velho para “corrigi-lo”. Mas negou que tenha queimado o filho na barriga e na boca, como ele disse aos policiais.

Os conselheiros e técnicos da Vara da Infância irão também conferir o histórico escolar das crianças, conversar com professores, ouvir novamente os próprios pais e outros parentes. O trabalho deve ser feito ao longo desta semana.

Justificativa

Em entrevista ao G1 , Helena disse não ter medo da Justiça e estar pronta para enfrentar as consequências de seus atos. “Se eu tiver que pagar alguma coisa, eu vou pagar, eu não vou fugir. O que o juiz fez agora fez certo. As leis têm que ser respeitadas. Não tenho medo da Justiça.”

Nos depoimentos dados nesta segunda, Helena contou que estuda pedagogia com bolsa de estudos e que por isso precisa trabalhar aos fins de semana em uma escola estadual. No sábado, ela saiu para trabalhar e como de costume deixou as crianças em casa – ela acreditava que o marido chegaria logo.

“Esse dia eu deixei ele trancado mesmo, isso ele não mentiu, porque ele ficou muitos dias na rua, faltou na escola”, afirmou. Entretanto, ela admitiu que aos sábados as crianças ficavam sozinhas em casa, com o portão trancado.

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