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Woody Allen abre o Festival de Cannes com 'carta de amor a Paris'

Woody Allen abre o Festival de Cannes com 'carta de amor a Paris'

Atualizado: Quarta-feira, 11 Maio de 2011 as 11:31

Verdadeiro "habitué" do Festival de Cannes, o cineasta norte-americano Woody Allen retorna à riviera francesa nesta quarta-feira (11) para lançar seu 41º longa-metragem. Desta vez, no entanto, promete retribuir a adoração que os cinéfilos franceses mantêm há décadas com a sua obra com uma homenagem ao país sede do festival.

"Meia-noite em Paris", seu novo longa, foi descrito por Thierry Frémaux, diretor do festival, como "uma maravilhosa carta de amor a Paris". Estrelado por Marion Cotillard, Owen Wilson, Kathy Bates e Adrien Brody, o filme foi escolhido para abrir o festival nesta noite, fora de competição. A primeira-dama Carla Bruni, que faz uma participação no filme de Allen como uma charmosa guia de museu parisiense, informou nesta terça que não estará na sessão por conta de compromissos profissionais. "Meia-noite em Paris" tem previsão de chegar ao Brasil em 17 de junho.

Também nesta quarta-feira, outro peso pesado do cinema mundial dá o ar da graça em Cannes. Nunca premiado pelo festival, Bernardo Bertolucci receberá também nesta quarta a Palma de Ouro Honorária por sua obra, que inclui clássicos como "O último imperador" (1987), "Último tango em Paris" (1972) e "Era uma vez no Oeste" (1968). O troféu já tinha sido entregue a nomes como Clint Eastwood e o próprio Allen, mas a partir desta edição a Palma de Ouro Honorária passa a ser anual.

Enquanto críticos, jornalistas e profissionais de cinema de todo o mundo se debruçam sobre dezenas de filmes em busca da próxima grande obra da sétima arte, milhares de curiosos e fãs se espremerão até o próximo dia 22 em frente ao Palais des Festivals para tentar espiar os astros e estrelas passando pelo glamouroso tapete vermelho de Cannes.

Neste ano, eles poderão ver nomes como Robert De Niro, Uma Thurman e Jude Law, respectivamente presidente do júri e jurados da competição oficial, além de Johnny Depp e Penélope Cruz, que passam pela cidade no sábado (14) para apresentar o novo "Piratas do Caribe - Navegando em águas misteriosas".

Também devem estar em Cannes este ano o casal Brad Pitt e Angelina Jolie. Ele, para apresentar "A árvore da vida", novo filme do americano Terrence Malick ("Além da linha vermelha"). Ela, para divulgar a segunda parte da animação "Kung Fu Panda", com Jack Black e Dustin Hoffman no elenco.

Outra presença que deve atrair os flashes dos fotógrafos - e as perguntas incômodas dos jornalistas - é o ator Mel Gibson. Envolvido em um escândalo pessoal por conta de conturbada disputa judicial com a ex-namorada Oksana Grigorieva, o astro de Hollywood exibe em Cannes - também fora de competição - o ousado "Um novo despertar", longa dirigido por Jodie Foster em que ele atua com a ajuda de um bizarro fantoche de castor. Ainda inédito em circuito comercial, o filme teve suas primeiras sessões em março, no festival South by Southwest, em Austin, e recebeu críticas desencontradas.

Depois de passar em branco pela seleção oficial de longa-metragens no ano passado, o Brasil volta a competir em Cannes na mostra Un Certain Regard (Um certo olhar), da qual havia participado pela última vez em 2009, com "À deriva", de Heitor Dhalia. O filme selecionado foi "Trabalhar cansa", dos jovens diretores Marco Dutra e Juliana Rojas, que fará sua primeira sessão já nesta quinta-feira (12). Ainda parte da competição oficial, "Duelo antes da noite", de Alice Furtado, representa o país na disputa de curtas.

Duas outras produções nacionais também serão exibidas em Cannes neste ano. O longa-metragem de Karim Aïnouz "O abismo prateado", que tem Alessandra Negrini no elenco, integra a programação da Quinzena dos Realizadores, mostra paralela ao Festival de Cannes, e não competitiva, que é dedicada a trabalhos mais experimentais e independentes. Já na Semana da Crítica, outra seleção paralela, será exibido o média-metragem "Permanências", de Ricardo Alves Júnior. Todos os filmes são inéditos no Brasil.

Tradicionalmente uma das mais importantes vitrines para o cinema mundial de autor, o Festival de Cannes terá ainda, nesta sua 64ª edição, os novos longas de diretores como Pedro Almodóvar ("La piel que habito"), Gus Van Sant ("Restless"), Kim Ki-duk ("Arirang"), os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne ("Le gamin au vélo"), Takashi Miike ("Ichimei") e o sempre polêmico Lars Von Trier ("Melancholia").

Confira a seguir os filmes da seleção oficial do 64º Festival de Cannes.

Competição oficial:

- "La piel que habito", de Pedro Almodóvar (Espanha)

- "L'Apollonide - Souvenirs de la Maison close", de Bertrand Bonello (França)

- "Pater", d'Alain Cavalier (França)

- "Footnote", de Joseph Cedar (Israel)

- "Once upon a time in Anatolia", de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)

- "Le gamin au vélo", de Jean-Pierre et Luc Dardenne (Bélgica)

- "Le havre", d'Aki Kaurismaki (Finlândia)

- "Hanezu no tsuki", de Naomi Kawase (Japão)

- "Sleeping beauty", de Julia Leigh (Austrália). Primeiro filme

- "Polisse", Ma¯wenn (França)

- "A árvore da vida", de Terrence Malick (EUA)

- "La source des femmes", de Radu Mihaileanu (Romênia)

- "Hara-kiri: Death of a samurai", de Takashi Miike (Japão, 3D)

- "Habemus Papam", de Nanni Moretti (Itália)

- "We need to talk about Kevin", de Lynne Ramsay (Grã-Bretanha)

- "Michael", de Markus Schleinzer (Áustria). Primeiro filme

- "This must be the place", de Paolo Sorrentino (Itália)

- "Melancholia", de Lars Von Trier (Dinamarca)

- "Drive", de Nicolas Winding Refn (cineasta dinamarquês, produção dos EUA)

- "The artist", de Michel Hazanavicius (França)

Fora de competição:

- "Meia-noite em Paris", de Woody Allen (EUA), filme de abertura

- "La Conquête", de Xavier Durringer (França)

- "The beaver", de Jodie Foster (EUA)

- "Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas", de Rob Marshall (EUA, 3D)

Mostra Un Certain Regard:

- "Restless", de Gus Van Sant (EUA)

- "The hunter", de Bakur Bakuradze (Rússia)

- "Halt auf freier strecke", d'Andreas Dresen (Alemanha) - Primeiro filme

- "Hors satan", de Bruno Dumont (França)

- "Martha Marcy May Marlene", de Sean Durkin (EUA) - Primeiro filme

- "Les neiges du Kilimandjaro", de Robert Guédiguian (França)

- "Skoonheid", d'Oliver Hermanus (África do Sul)

- "The day he arrives", de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)

- "Bonsa", de Cristian Jimenez (Chile)

- "Tatsumi", d'Eric Khoo (Cingapura, animação)

- "Arirang", de Kim Ki-duk (Coreia do Sul)

- "Et maintenant on va où?", de Nadine Labaki (Líbano)

- "Loverboy", de Catalin Mitulescu (Romênia)

- "Yellow sea", de Na Hong-jin (Coreia do Sul)

- "Miss Bala", de Gerardo Naranjo (México)

- "Trabalhar cansa", de Juliana Rojas e Marco Dutra (Brasil) - Primeiro filme

- "L'exercice de l'etat", de Pierre Schoeller (França)

- "Toomelah", d'Ivan Sen (Austrália)

- "Oslo, 31 ao»t", de Joachim Trier (Noruega)

Exibições especiais:

- "Labrador", de Frederikke Aspck - Primeiro filme

- "Le maître des forges de l'enfer", de Rithy Panh

- "Michel Petrucciani", de Michael Radford

- "Tous au Larzac", de Christian Rouaud

Sessão da meia-noite:

- "Wu xia", de Chan Peter Ho-Sun (China)

- "Dias de gracia", de Tekla Taidelli (México).

Por: Diego Assis

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