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Desenvolvimento do PNBL exige parceria entre teles e governo

Desenvolvimento do PNBL exige parceria entre teles e governo

Atualizado: Sexta-feira, 29 Abril de 2011 as 2:30

Para melhorar a infraestrutura de rede de internet no Brasil e potencializar o PNBL é necessária a união entre iniciativa pública e privada, ou seja, operadoras de telecomunicações e governos federal e estaduais. Essa é a principal conclusão dos palestrantes que participaram da abertura do Rio Wireless 2011, conferência realizada na capital fluminense que termina nesta quinta-feira (28).

Participaram da cerimônia de abertura do evento, na quarta-feira (27) o diretor executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), Eduardo Levy; o diretor de ensino da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), Fernando Mota; o presidente da Empresa Municipal de Informática da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (IplanRio), Ricardo Oliveira; o presidente da Proderj, Paulo Coelho; e Cezar Alvarez, secretário executivo do Ministério das Comunicações.

O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, disse que é papel do MiniCom manter, mesmo aumentar, as estatísticas positivas de inclusão digital no Brasil. “Hoje a conexão está mais cara que os equipamentos”, diz. “Isso é preocupante, pois um equipamento sem transmissão disponível não serve pra nada. O desafio, que cabe a todos nós, está relacionado à quantidade de linhas, qualidade, preço e penetração.”

Alvarez defendeu o PNBL, que segundo ele sofreu críticas duras em sua fase de implantação. “O Plano está de pé, e falta avançar muitíssimo, mas estamos em um momento peculiar. Hoje o PNBL é acusado de ser empresarial demais; ontem era justo o contário.”

O secretário do MiniCom também defendeu a união entre a iniciativa pública e privada para o desenvolvimento do PNBL. “O Plano é e deve ser uma construção comum, que combine operação e competição, com acordos entre distintos e semelhantes”, disse. Alvarez ressaltou que o MiniCom está aberto a discutir isenções fiscais e incentivos, mas que para isso os governos estaduais também devem se abrir ao diálogo.

Eduardo Levy, diretor executivo do Sinditelebrasil, disse que para “massificar os serviços de banda larga móvel é necessário um esforço conjunto, patrocinado pelo governo, para desenvolver aplicações úteis e fáceis de usar para o cidadão comum”. O Sinditelebrasil representa todas as principais operadoras de telefonia móvel atuantes em território nacional.

Segundo Levy, hoje no Brasil é ativado aproximadamente um celular por segundo, e contratado um plano de banda larga a cada três segundos. “Dependendo do ponto de vista, esse número pode ser pouco, pois ainda há muito por fazer, mas por outro lado é um volume estupendo em um País como o nosso.” Levy diz que, apesar da demanda crescente, implantar uma infraestrutura móvel de quarta geração no País exige a resolução de alguns problemas: o primeiro, a falta de mão de obra qualificada no setor de telecomunicações; o segundo, as dificuldades burocráticas, que aumentam os custos de implantação de estações radio base.

“As estações no Brasil ainda são poucas quando comparadas às dos EUA, por exemplo, que tem dez vezes mais”, diz Levy. “Precisamos de uma legislação única, que contemple as necessidades do meio ambiente e da população”. Para Levy, o futuro das redes móveis no País deve contemplar as faixas de 2,5 GHz e, ao mesmo tempo, a de 700 MHz. “Vamos precisar das duas freqüências para poder fazer frente a demanda espantosa e necessidade cada vez maior do cidadão brasileiro”, disse.

Fernando Mota, da Diretoria de Ensino Superior da Faetec, destacou a necessidade de interligar comunidades e ambientes educacionais. “Ao mesmo tempo em que pensamos em aumentar bandas, devemos tornar esses acessos verdadeiramente democráticos”, disse. “Não adianta fazer a iluminação digital em diversas áreas e parar por aí, pois as pessoas ainda utilizam muito mal essas redes.”

Ricardo Oliveira, presidente da IplanRio disse que a qualidade das redes beneficia também o setor público, pois melhora a gestão interna e aumenta a eficiência. “Coisas impossíveis sem a tecnologia”, disse. Segundo Oliveira, as possibilidades de serviços para a população através das redes de banda larga são “infinitas. A sociedade como um todo tem uma demanda importante com relação a essa infraestrutura”. Segundo ele, no entanto, o grande desafio para o poder público é conectar todos os seus órgãos com os baixos orçamentos disponíveis.

O presidente da Proderj, Paulo Coelho, destacou o papel indutor do Estado no desenvolvimento das redes de dados, tanto para baixar os preços como para alcançar lugares distantes. “O PNBL deve ser entendido como um plano realmente nacional, sem discussões políticas desnecessárias”, disse Coelho. “Devemos aproveitar a oportunidade para melhorar tanto os serviços para a população como os recursos de governança para o poder público.”

Coelho destacou a necessidade de união entre poder público e setor privado para “dar uma virada” nas telecomunicações no País. “O Rio de Janeiro está em posição privilegiada, pois teremos cerca de R$ 150 bilhões investidos na cidade nos próximos anos, grande parte em infraestrutura de Telecom”, disse. Segundo ele, a sequência de Copa do Mundo e Olimpíadas serão positivas para o Estado, já que “temos dia e hora marcada para as coisas acontecerem.”       Por Marcelo Vieira

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