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Energia é o grande desafio da ciência nos próximos anos

Energia é o grande desafio da ciência nos próximos anos

Atualizado: Terça-feira, 9 Novembro de 2010 as 10:30

Não permitir que as fontes de energia se esgotem. Para o físico alemão Peter Grünberg, vencedor do Prêmio Nobel de Física em 2007, essa tarefa é o grande desafio que a ciência tem de enfrentar nos próximos anos, seja por meio da otimização de dispositivos eletrônicos ou pela criação de novas fontes de energia. “Os recursos que costumávamos utilizar já estão se acabando”, disse o pesquisador em entrevista a EXAME.com.Uma das áreas de grande potencial é a de pesquisas com semi-condutores, na avaliação do cientista, que demonstra se sentir mais à vontade para falar de assuntos pessoais do que de ciência propriamente dita. Grünberg veio no Brasil para participar, em São Carlos, no interior de São Paulo, da Primeira Escola Avançada de Spintrônica e Computação Quântica, área em que se especializou ao longo da carreira.

Grünberg foi laureado com o Nobel de Física em 2007, juntamente com o francês Albert Fert. Ambos descobriram, em 1988, de forma independente, o fenômeno da magnetorresistência gigante (MRG), fundamental para a criação de discos rígidos de alta densidade. O iPod, que nas primeiras gerações utilizava HDs ao invés de memórias flash, não existiria sem a descoberta.

“Essa descoberta foi grande responsável pelo avanço da spintrônica e dos estudos em computação quântica, que, embora ainda estejam em nível de laboratório, tem um grande potencial para revolucionar as áreas de informação e comunicação nos próximos anos”, explica o físico Oscar Hipólito, ex-diretor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP).

Aos 71 anos e portador do Mal de Parkinson e do Mal de Alzheimer, Grünberg diz esperar ansiosamente por uma invenção que possa curá-lo de sua condição. Apesar de seu semblante visivelmente cansado, se dispôs a estender a permanência no país e entre sábado (6) e a segunda-feira (8) esteve na capital paulista para fazer uma palestra para estudantes do ensino médio no Colégio Etapa. No evento, se esforçou para tocar violão, uma de suas paixões, e cantou, para discorrer sobre os desafios da ciência.

Esta foi a terceira vez que Grünberg visitou o Brasil. “Acho o país muito bom. As pessoas são muito amigáveis”, afirma. Em meio aos compromissos profissionais, o cientista ainda teve tempo de assistir, pela primeira vez na vida, a um jogo de futebol dentro de um estádio. Torceu, de um camarote no Estádio do Morumbi, pelo São Paulo, na partida em que o time foi derrotado pelo Corinthians por dois a zero. “As duas equipes jogaram de igual para igual. O São Paulo teve apenas azar”, analisou.

Nobel de Física

Grünberg admite que já esperava um dia ganhar o Nobel, porque a repercussão de seu trabalho havia sido muito grande. Mas ele é modesto e atribui à contribuição de outros pesquisadores o avanço atribuído à sua descoberta. “Fiquei muito surpreso com as grandes ideias que surgiram depois. Até hoje novos estudos ainda estão florescendo”, afirma.

Com o reconhecimento da Academia Real de Ciências da Suécia, responsável pelo Prêmio Nobel, Grünberg recebeu 5 milhões de coroas suecas, algo em torno de US$ 750 mil na época. Por outro lado, a exposição que ganhou em todo o mundo tornou a vida do alemão, já aposentado, bastante agitada. “Antes do Nobel ficava a maior parte de meu tempo no laboratório. Agora, passo mais tempo fora. Não consigo mais fugir das pessoas”, brinca o pesquisador.

Grünberg não escondia o cansaço durante a entrevista concedida em São Paulo. “Cerca da metade deste ano passei viajando para participar de eventos e fazer palestras, e isso é muito cansativo”, diz. Na noite de segunda-feira (8), embarcou, em São Paulo, em um voo com destino à Alemanha, onde descansaria alguns dias em casa. Em duas semanas, viajará para a Ásia, onde passará por Coreia do Sul, China e Japão.

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