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Estátua de 2000 anos ajudará a evitar corrosão em equipamentos modernos

Estátua de 2000 anos ajudará a evitar corrosão em equipamentos modernos

Atualizado: Terça-feira, 4 Agosto de 2009 as 12

Encontrar uma estátua de bronze, com mais de 2.000 anos de idade, no fundo do Mar Adriático, parece ser um prato cheio para arqueólogos, historiadores e até artistas. O que não se esperaria é que a descoberta da estátua do atleta grego Apoxiomeno pudesse ajudar a desenvolver novas formas de proteger os metais da corrosão e até de armazenar lixo nuclear.

Biomineralização

As esculturas de Apoxiomeno são bastante conhecidas, onde ele aparece raspando o suor e a sujeira do corpo com um instrumento curvo. Mas elas são geralmente feitas em pedra. A escultura que está chamando a atenção dos engenheiros e cientistas dos materiais é feita de bronze e foi descoberta em 1998.

Depois de analisá-la, os cientistas descobriram que ela é uma fonte inigualável de informações sobre um processo chamado biomineralização - um processo por meio do qual animais e plantas usam os minerais à sua volta para formar conchas e ossos. A estátua de bronze de Apoxiomeno está incrustada com depósitos assim.

Corrosão milenar

"Como os estudos de longo prazo das estruturas feitas pelo homem e recobertas por biomateriais são muito limitadas, a descoberta de uma escultura antiga imersa por dois milênios no fundo do mar representou uma oportunidade única para testar os impactos de longo prazo de um substrato artificial específico sobre os organismos que fazem a biomineralização, além dos efeitos da biocorrosão," explica o professor Davorin Medakovic, da Universidade de Zagreb, na Croácia.

Estudando detalhadamente as camadas minerais que se formaram sobre a estátua, e os organizamos fossilizados nesse processo, os pesquisadores foram capazes de avaliar como as comunidades de organismos submarinos interagem com os metais a longo prazo.

Verniz biológico

A descoberta de maior efeito prático é que determinados depósitos minerais sobre a escultura de bronze funcionaram como uma espécie de verniz, retardando a sua deterioração e preservando a estátua.

A descoberta poderá levar à criação de novos revestimentos para a proteção anticorrosiva de navios, dutos oceânicos e qualquer outro material metálico que precise ficar em contato com a água do mar.

Outro impacto possível da descoberta é a criação de recipientes metálicos com revestimentos biomineralizados, oferecendo uma proteção de longo prazo para o armazenamento de resíduos radioativos e lixo nuclear.

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