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O Brasil num supertelescópio

O Brasil num supertelescópio

Atualizado: Quarta-feira, 20 Outubro de 2010 as 2:07

Desde a descoberta de que a expansão do universo está se acelerando, cientistas estudam a misteriosa energia escura, que pode ser responsável pelo processo.

Para investigá-la, brasileiros e espanhóis se reuniram no projeto J-PAS e vão construir um supertelescópio de 2,6 metros de diâmetro até 2013. Os brasileiros da iniciativa, que reúne várias instituições e é chamada por aqui de PAU-Brasil, são liderados pelo astrofísico Renato Dupke, do Observatório Nacional. Veja o que ele disse à INFO.

INFO - Como nasceu o projeto do telescópio?

RENATO DUPKE - Surgiu na Espanha, feito por um conjunto de universidades. A direção é do Centro de Estudos de Física do Cosmos de Aragão (Cefca). Como o grupo espanhol que ia cuidar da câmera do telescópio desistiu, ficou uma lacuna. A experiência dos brasileiros permitiu acertar uma colaboração. Em abril de 2009, começamos a buscar financiamento. Atualmente, temos 3 milhões de reais obtidos no Rio de Janeiro e devemos conseguir outros 3 milhões de reais em São Paulo.

INFO - Qual será a participação dos brasileiros?

DUPKE - O Brasil entra com o gerenciamento da câmera do telescópio principal. Serão dois telescópios, um grande, de 2,6 metros de diâmetro, que vai fazer o levantamento principal, e outro pequeno, de 80 centímetros, que, entre outras coisas, serve para calibrar o maior.

INFO - Como funciona a câmera?

DUPKE - A câmera é um mosaico com 14 sensores CCDs de 10 500 por 10 500 pixels cada, formando imagens de 1,5 GB. As informações captadas estarão na casa dos petabytes. Os CCDs não são novos, mas são enormes. A ideia é usar vários filtros (no nosso caso, 42) com cores diferentes para cobrir todo o espectro óptico, do azul ao vermelho. Nunca se havia usado tantos filtros juntos. Eles estão divididos em três bandejas de 14, cobrindo os CCDs, e têm largura fixa — a cada 100 angstroms —, para cobrir todo o espectro.

INFO - Como os dados serão armazenados?

DUPKE - No próprio Cefca. O telescópio fica perto de Teruel, no Pico de Buitre, que tem cerca de 2 000 metros de altitude. O Brasil terá participação integral efetiva, com 50% do comitê de gerenciamento.

INFO - É comum construir um telescópio menor para calibrar o maior?

DUPKE - Sim. Há várias vantagens. O pequeno pode ser usado para observar objetos que variem com o tempo, como asteroides ou supernovas. Nós provavelmente teremos com o telescópio principal o melhor catálogo de supernovas a baixas distâncias que existe. Mas, para isso, ele tem de monitorar a supernova por um mês. O pequeno serve ainda para complementar as pesquisas paralelas e para testes de software.

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